{"id":967,"date":"2009-03-23T23:25:47","date_gmt":"2009-03-24T02:25:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=967"},"modified":"2025-12-24T13:03:42","modified_gmt":"2025-12-24T16:03:42","slug":"elogio-a-seo-marcio-meirelles-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=967","title":{"rendered":"Elogio a Seo M\u00e1rcio (Meirelles) &#8211; parte 2"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; \">Recebo de uma amiga a vers\u00e3o integral do elogio que a revista <a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/app\/materia.jsp?a=2&amp;a2=10&amp;i=3157\" target=\"_blank\">Carta Capital<\/a> do m\u00eas passado havia feito a atual gest\u00e3o da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (mas M\u00e1rio Kertzs, o Pol\u00edtica Livre o blog De Rabo Preso e Aninha Franco s\u00e3o contra). A Carta disponibilizou esse m\u00eas. Como j\u00e1 havia publicado m\u00eas passado <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=811\" target=\"_blank\">a primeira metade da reportagem<\/a> (que a Carta sempre libera gratuitamente), vai aqui o restante:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o retorno (de Solange Farkas), em 2006, veio acompanhado de um susto e tanto. \u201cSofremos um tremendo ataque. Depois de 30 anos de um sistema pol\u00edtico de privil\u00e9gios, de uma Bahia ensimesmada, fechada, chegar algu\u00e9m de fora para comandar um museu parecia uma grande agress\u00e3o\u201d, relata. \u201cTudo o que faz\u00edamos parava na m\u00eddia. Minha agenda pessoal chegou a ser divulgada. Havia um esp\u00edrito de dela\u00e7\u00e3o e at\u00e9 telefone grampeado eu tive. \u00c0s vezes parecia que eu estava numa novela da Globo e ia aparecer o Odorico Paragua\u00e7u.\u201d <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No MAM, o que encontrou foi uma reserva t\u00e9cnica com obras empilhadas e duas galerias fechadas para servir de dep\u00f3sito. Dada a proximidade do mar e a falta de prote\u00e7\u00e3o das salas \u2013 que nem sequer ar condicionado possu\u00edam \u2013, 70% do acervo estava comprometido. Atualmente, as obras est\u00e3o abrigadas fora do Solar e, at\u00e9 o fim de 2010, deve ser inaugurada a nova reserva. \u201cTamb\u00e9m descobri, quando decidi tirar as obras de l\u00e1, que n\u00e3o estavam catalogadas\u201d, diz Solange. Havia, \u00e0 altura, um computador e 180 funcion\u00e1rios. \u201cHoje s\u00e3o 130. Mas que v\u00e3o todos os dias s\u00e3o uns 80. O Estado tem uma estrutura paquid\u00e9rmica.\u201d <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00e3o do MAM, longe de ser exce\u00e7\u00e3o, apenas demonstra o que aconteceu \u00e0 cultura baiana, em termos institucionais, durante os anos ACM. \u201cAs artes n\u00e3o eram diferentes da pol\u00edtica\u201d, resume o jovem diretor de cinema e videoartista Daniel Lisboa. \u201cViv\u00edamos os tempos de panelas, guetos, indica\u00e7\u00f5es, nepotismo e muita corrup\u00e7\u00e3o. Pelos corredores dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos respons\u00e1veis pela cultura o que se via e sentia eram medo, rabos presos e sil\u00eancio.\u201d Lisboa sentiu na pele o coronelismo ao criar, no final da era carlista, o Movimento Anticordial (MovAC), que pregava o \u201cfim do Homem Cordial\u201d. Ao fazer um v\u00eddeo que simulava o sequestro de ACM, em tom jocoso, ele e seu grupo sofreram censura e amea\u00e7as. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Solange Farkas, com o olhar de quem passou anos fora, diz ter a sensa\u00e7\u00e3o de que, hoje, acontece na Bahia o que aconteceu no Brasil p\u00f3s-abertura pol\u00edtica. \u201cO ACM, sutilmente, fez os baianos acreditarem que n\u00e3o precisavam do resto do Brasil, que a cultura deles se bastava. Ele tamb\u00e9m for\u00e7ou um estere\u00f3tipo que tem a ver com casa-grande e senzala, com a subservi\u00eancia. Paulista gostava de vir aqui e ser chamado de \u2018meu rei\u2019, mas \u00e9 complicada a origem disso\u201d, avalia. Inclui-se nesse esp\u00edrito o famoso slogan \u201cSorria, voc\u00ea est\u00e1 na Bahia\u201d, e a radical associa\u00e7\u00e3o da cultura aos interesses tur\u00edsticos. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto era assim que a cultura n\u00e3o merecia nem sequer uma pasta. E, em vez de estar vinculada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, como em outros lugares, estava subordinada \u00e0 Secretaria de Turismo. Foi apenas em 2006 que um dos maiores estados brasileiros ganhou sua Secretaria de Cultura. O secret\u00e1rio Meirelles, acusado, quando assumiu, de ser contra o ax\u00e9, diz que o Fundo de Cultura, que beneficiava 40 projetos por ano, hoje contempla cerca de 200. \u201cO Fundo s\u00f3 servia ao governo e a institui\u00e7\u00f5es quase paragovernamentais\u201d, afirma. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVivemos, aqui, a reprodu\u00e7\u00e3o do que aconteceu em n\u00edvel federal, quando o Minist\u00e9rio da Cultura come\u00e7ou a pregar a descentraliza\u00e7\u00e3o de recursos do Sul e Sudeste e o benef\u00edcio a um maior n\u00famero de produtores\u201d, compara Meirelles. Os produtores estabelecidos levantaram-se, por exemplo, contra os editais p\u00fablicos e a cria\u00e7\u00e3o de programas para o interior do Estado. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO interior estava completamente abandonado\u201d, diz o artista pl\u00e1stico Ayrson Her\u00e1clito. \u201cO sal\u00e3o do MAM, at\u00e9 por obriga\u00e7\u00e3o legal, chegava \u00e0s pequenas cidades, mas os centros culturais eram verdadeiros elefantes brancos. Recebiam o sal\u00e3o e passavam o resto do ano vazios. N\u00e3o tinham nem paredes para pendurar quadros.\u201d <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s dois anos sem ACM, a classe cultural baiana parece, cada vez mais, tomar consci\u00eancia do processo em que estava metida. E, se havia o n\u00f3 institucional \u2013 ainda longe de ter sido totalmente desfeito \u2013, existia tamb\u00e9m a quest\u00e3o simb\u00f3lica, que levar\u00e1 muito tempo para ser realmente compreendida e modificada. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCriou-se uma imagem de Bahia na qual eu, por exemplo, n\u00e3o me reconhecia\u201d, admite o cineasta Sergio Machado, de Cidade Baixa, outro dos que constru\u00edram carreira fora do estado, mesmo mantendo rela\u00e7\u00f5es e ra\u00edzes. Machado lembra que a Bahia foi o \u00faltimo grande estado a tomar parte da retomada do cinema brasileiro. \u201cFicamos mais de vinte anos sem produzir um longa-metragem. Como todos sab\u00edamos que as decis\u00f5es passavam pelo \u2018quem \u00e9 amigo de quem\u2019, o m\u00e9rito foi deixando de ter valor e perdeu-se o est\u00edmulo.\u201d <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Machado diz que a mudan\u00e7a de prumo na pol\u00edtica cultural do estado pode ser pressentida numa simples ida \u00e0 secretaria. \u201cAntes, ali, tinha a sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o estava no lugar certo. O di\u00e1logo era inc\u00f4modo, era como se eu estivesse pedindo alguma coisa \u00e0 qual n\u00e3o tinha direito\u201d, observa. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m os jovens artistas pareciam n\u00e3o ter direito de fazer qualquer coisa em m\u00e3o diversa daquela seguida por figuras lend\u00e1rias como Jorge Amado, Caryb\u00e9 ou Pierre Verger, incorporados e reaproveitados de maneira a criar a tal baianidade que, de certo modo, virou uma Bahia \u201cpara ingl\u00eas ver\u201d \u2013 basta lembrar da desastrosa \u201climpeza\u201d do Pelourinho. \u201cA Bahia vivia quase uma monocultura\u201d, resume Meirelles. \u201cEstamos trabalhando para mostrar a diversidade que sempre existiu, mas ficava escondida.\u201d <\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebo de uma amiga a vers\u00e3o integral do elogio que a revista Carta Capital do m\u00eas passado havia feito a atual gest\u00e3o da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (mas M\u00e1rio Kertzs, o Pol\u00edtica Livre o blog De Rabo Preso e Aninha Franco s\u00e3o contra). 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