{"id":3927,"date":"2014-04-20T14:42:11","date_gmt":"2014-04-20T17:42:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3927"},"modified":"2025-12-24T13:02:53","modified_gmt":"2025-12-24T16:02:53","slug":"regencia-de-trincheira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3927","title":{"rendered":"Reg\u00eancia de Trincheira"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Como os que leem este blog a mais tempo sabem, a Orquestra Sinf\u00f4nica da Bahia (OSBA) vem desde 2008 num vetor ascendente de import\u00e2ncia e qualidade: desde a gest\u00e3o de Ricardo Castro, com quem a OSBA passou a ter apresenta\u00e7\u00f5es regulares semanais e receber nomes proeminentes da cena erudita musical, chegando ao \u00e1pice no fim de 2012 e in\u00edcio de 2013, quando com Carlos Prazers \u00e0 frente sediou pela primeira vez um Semin\u00e1rio Nacional de Gest\u00e3o Orquestral (o que sugeri insistentemente, ali\u00e1s, diga-se de passagem) e pela primeira vez publicando a programa\u00e7\u00e3o anual de sua s\u00e9rie principal, a Jorge Amado, desde o in\u00edcio do ano &#8211; assumindo-se portanto parte do calend\u00e1rio sinf\u00f4nico nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto tudo foi verdade at\u00e9 a crise fiscal do Estado da Bahia em meados de 2013: rapidamente a S\u00e9rie Jorge Amado foi, mais do que desconstru\u00edda, desmantelada &#8211; perdendo nomes e execu\u00e7\u00f5es de pe\u00e7as importantes, se rareando at\u00e9 desaparecer em concertos substitutos de Natal de apelo popular e mesmo radiof\u00f4nico que nada tinha a ver com uma s\u00e9rie que previa Leonard Bernstein, Benjamin Briten e Arvo Part.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 certo que um dos trunfos de Carlos Prazeres, comparativamente a Ricardo Castro, foi estabelecer rotina de concertos mais populares de modo a incrementar a forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico para os concertos mais dif\u00edceis &#8211; em que pese que Salvador j\u00e1 vem aumentando exponencialmente seu p\u00fablico de m\u00fasica erudita na \u00faltima d\u00e9cada, fruto inclusive do surgimento do <a href=\"http:\/\/www.neojiba.org\/br\/\" target=\"_blank\">Neojib\u00e1<\/a>. Mas esta iniciativa de fazer de uma sinf\u00f4nica show-bizz de Prazeres s\u00f3 faz sentido com uma contraparte que ele soube criar bem &#8211;<a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3078\" target=\"_blank\"> atualizar o repert\u00f3rio em dire\u00e7\u00e3o a m\u00fasica contempor\u00e2nea baiana e modernismos (eslavo, franc\u00eas, as mais diversas escolas brasileiras, etc)<\/a>, por exemplo. E precisaria ainda de uma terceira perna: independ\u00eancia e robustez financeira para disputar mercado e p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso recairia no velho dilema da publiciza\u00e7\u00e3o X estatiza\u00e7\u00e3o &#8211; um binarismo falso. Ao meu ver, as sinf\u00f4nicas n\u00e3o devem mais ser estatais embora devam sim ser largamente financiadas pelo estado &#8211; mas precisam ter outras formas de se manter; ademais, no Semin\u00e1rio Nacional de Gest\u00e3o Orquestral em que a OSBA foi anfitri\u00e3, ficou claro que h\u00e1 diversos modelos: desde o cooperativado da Petrobr\u00e1s Sinf\u00f4nica, aos puramente estatais, aos mistos, etc. E mais: que h\u00e1 vetores diversos para estas solu\u00e7\u00f5es: a OSESP, por exemplo, enquanto foi estatal garantia menos, e n\u00e3o mais, estabilidade trabalhista a seus m\u00fasicos; publicizada, paradoxalmente ela passou a funcionar de um modo menos &#8220;neoliberal&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste sentido, a quest\u00e3o da OSBA n\u00e3o \u00e9 sequer de imediato deixar de ser apenas estatal &#8211; e sim ao menos deixar de ser um pinduricalho do Teatro Castro Alves. Ela sempre depender\u00e1 do TCA como sede, \u00e9 verdade; s\u00f3 que ela \u00e9 uma sinf\u00f4nica de um estado de dimens\u00f5es nacionais, e n\u00e3o a sinf\u00f4nica do teatro de \u00f3peras de sua capital! Nem mesmo este passo foi dado em dire\u00e7\u00e3o a que a OSBA se torna-se, digamos, ao menos uma autarquia &#8211; e n\u00e3o uma mera superintend\u00eancia de uma autarquia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado \u00e9 que no momento mesmo do salto para se tornar uma orquestra de relev\u00e2ncia para o pa\u00eds, a OSBA se acabrunhou e voltou a atuar como uma sinf\u00f4nica paroquial. Em que consiste hoje a s\u00e9rie de concertos da Sinf\u00f4nica da Bahia? Pequenos concertos com orquestra reduzida, barroca, no Museu de Arte Moderna e no foyer do TCA, com gente sentada no ch\u00e3o &#8211; lotados, \u00e9 verdade, e fundamentais para a atra\u00e7\u00e3o de mais p\u00fablico para a m\u00fasica erudita e nisso s\u00e3o eficientes. Mas, atrair mais p\u00fablico para onde? &#8211; se n\u00e3o h\u00e1 os concertos mais formais com repert\u00f3rio mais exigente e orquestra maior&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta forma, se Carlos Prazeres foi nos seus primeiros dois anos de contrato um maestro pr\u00f3-ativo, um continuador da retomada de Ricardo Castro, agora ele parece fazer uma reg\u00eancia de trincheira, na resist\u00eancia de uma guerra em campo minado &#8211; quase, eu diria, como o foi a de Eric Vasconcelos nos \u00faltimos momentos do carlismo. Isso redunda inclusive na aceita\u00e7\u00e3o de participar de eventos municipais t\u00e3o canhestros quanto foi o recente Festival Arte do Sagrado ou a Abertura do Carnaval no Farol da Barra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se trata com isso de dizer que a Reforma Cultural Baiana retroagiu, ou deixou de existir, mas sua estatiza\u00e7\u00e3o pela l\u00f3gica boi-de-coice do Secret\u00e1rio de Cultura Albino Rubim \u00e9 sim um problema, que esvazia a todos n\u00f3s que constru\u00edmos a Reforma da alegria e da voracidade que a moveu nos primeiros anos &#8211; ao passo que seus frutos v\u00e3o sendo cooptados mercadologicamente pelo Ax\u00e9-System contra o qual tanto se lutou, atrav\u00e9s do Semi-Prefeito Grampinho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como os que leem este blog a mais tempo sabem, a Orquestra Sinf\u00f4nica da Bahia (OSBA) vem desde 2008 num vetor ascendente de import\u00e2ncia e qualidade: desde a gest\u00e3o de Ricardo Castro, com quem a OSBA passou a ter apresenta\u00e7\u00f5es regulares semanais e receber nomes proeminentes da cena erudita musical, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[938],"tags":[1602,161,162,1329],"class_list":["post-3927","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bailes","tag-carlos-prazeres","tag-orquestra-sinfonica-da-bahia","tag-osba","tag-reforma-cultural"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3927","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3927"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3927\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3930,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3927\/revisions\/3930"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}