{"id":3886,"date":"2014-01-02T22:10:53","date_gmt":"2014-01-03T01:10:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3886"},"modified":"2025-12-24T13:02:53","modified_gmt":"2025-12-24T16:02:53","slug":"o-legado-de-eastwood","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3886","title":{"rendered":"O legado de Eastwood"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\"><i>para R\u00f4mulo Henrique,<\/i><i>\u00a0saindo da rodovia pedagiada<\/i><\/p>\n<p align=\"right\"><i>em seus descaminhos de atalhos vicinais tardios<\/i><\/p>\n<p align=\"right\"><i>(oxal\u00e1 lhe sirva de placas indicativas<\/i><\/p>\n<p align=\"right\"><i>\u00a0no mapa que est\u00e1 a construir)<\/i><\/p>\n<p align=\"right\"><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p align=\"right\"><i>para meu av\u00f4 Alexinaldo (in memoriam),<\/i><\/p>\n<p align=\"right\"><i>em suas aleias ajardinadas.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que seus filmes, a personalidade mesma do homem Clint Eastwood me lan\u00e7a quase sempre uma imagem on\u00edrica: com sua virilidade empedernida, mas contida, Clint entra numa sala, silencioso, em que v\u00e1rios machos mais jovens galhofeiam sem sentido, desperdi\u00e7ando-se em exibir uma masculinidade de blefe; Clint os olha sombraceiro, esperando que se calem, e uma vez calados senta-se lentamente (de pernas abertas, ran\u00e7o de cowboy) e profere, como quem descarta um Royal Street Flush ao mesmo tempo em que abdica de ganhar a aposta, com sua voz rouca e um tanto abafada &#8211; &#8220;<b><i>Gentleman, there is no shame in being sensible!<\/i><\/b>&#8220;. Para-al\u00e9m da ep\u00edgrafe, quero tomar esta frase como imperativo categ\u00f3rico e declara\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios de <a href=\"http:\/\/www.artofmanliness.com\/\" target=\"_blank\">uma identidade dos homens enquanto homens ainda a ser constru\u00edda (talvez a partir de ru\u00ednas reconditamente perdidas)<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><b>* * *<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O s\u00e9culo XX assistiu a um crescente elogio da feminilidade, seja atrav\u00e9s das feministas, dos movimentos GLBTTWZ-KY ou dos queer. \u00c9 certo que essa busca da feminilidade n\u00e3o \u00e9 id\u00eantica nos tr\u00eas, embora nos tr\u00eas seja superficial: o g\u00eanero, mero artif\u00edcio imagin\u00e1rio, que nada tem a ver com a posi\u00e7\u00e3o sexuada do sujeito frente ao seu desejo (n\u00e3o-todo, insatisfeito, que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se inscrever, etc.) e a sua fantasia sexual. N\u00e3o obstante, o imagin\u00e1rio das reivindica\u00e7\u00f5es de g\u00eanero n\u00e3o deixa de ser uma resposta, talvez um sintoma, a esta hi\u00e2ncia fundamental entre o real sexual e o simb\u00f3lico do erotismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta movimenta\u00e7\u00e3o social se justifica pela selvageria opressiva da masculinidade anterior, \u00e9 verdade, mas acaba jogando fora o beb\u00ea junto com a \u00e1gua da bacia, quando n\u00e3o sofrendo de paralaxe com um desencontro entre aquilo em que mira e aquilo em que acerta. Por exemplo, <a href=\"http:\/\/www.spiked-online.com\/newsite\/article\/the_triumph_of_the_maternalists\/14346#.UsYIEGRDtZv\" target=\"_blank\">a feminiliza\u00e7\u00e3o da vida apenas fez o Estado mudar de paternalista para maternalista &#8211; o que \u00e9 igualmente alienante de um modo mais sutil na sua hiperprotetividade<\/a>; ou ainda, o fim das diferen\u00e7as de g\u00eanero, como nos lembra Ivan Illich, n\u00e3o deveria ser uma demanda do feminismo &#8211; o pr\u00f3prio capitalismo extingue a diferen\u00e7a entre os sexos para produzir ex\u00e9rcito industrial de reserva, e a\u00ed \u00e9 que est\u00e1 o problema: movimentos sociais a partir da identidade sexual deveriam, isto sim, lutar para a redivis\u00e3o dos g\u00eaneros embora agora de uma outra forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pior mesmo talvez tenha sido a anula\u00e7\u00e3o completa de uma masculinidade positiva, a que podemos chamar de Cavalheirismo. O cavalheirismo que as feministas e os queer chamam apressadamente de &#8220;machismo edulcorado passivo-agressivo&#8221;, e que na verdade \u00e9 anti-machismo a conta-gotas, o machismo esvaziado por dentro &#8211; consistindo na abertura para o outro como democraticamente equ\u00e2nime, e n\u00e3o apenas o outro g\u00eanero ou o outro sexo; o cavalheirismo passa pela soberania subjetiva de, em pleno poder viril, abdicar deste poder em nome de um outro homem ainda que n\u00e3o se o preze &#8211; a masculinidade esgrimida com arte, contra a selvageria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Lembro do momento em que meu av\u00f4 materno soube que larguei a gradua\u00e7\u00e3o em Medicina. De todas as pessoas, ele \u00e9 quem mais poderia ter reclamado. Eu passara o \u00faltimo ano inteiro numa rebeldia de vestimentas que atacava sobretudo sua her\u00e1ldica conservadora &#8211; ele que trajava apenas Elle &amp; Lui, Hugo Boss e Lacoste -, usando saias, tendo metade da cabe\u00e7a raspada e a outra metade com cabelos desgrenhadamente compridos, brincos nas unhas e tatuagem de hena na testa. No entanto, meu av\u00f4 Alexinaldo n\u00e3o fez mais do que falar em tom baixo e seguro no telefone, respirar fundo e, numa pausa na qual certamente seu l\u00e1bio superior tremeu como sempre tremia ao conter uma reprimenda, disse a um moleque revoltadinho de 18 anos de idade: &#8220;Voc\u00ea que sabe, j\u00e1 \u00e9 grande o suficiente para escolher&#8221;. De todas as pessoas, foi a \u00fanica que nunca mais voltou ao tema de eu ter abandonado o curso de gradua\u00e7\u00e3o aristocr\u00e1tico por excel\u00eancia &#8211; a \u00fanica, tamb\u00e9m, a perguntar com real interesse como estava minha inser\u00e7\u00e3o na Psicologia e na Anti-Medicina de um modo geral. Cavalheirismo, senhores, \u00e9 isso. Foi assim que aprendi a ser homem, em aleias palacianas).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><b>* * *<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, particularmente, o acesso a masculinidade \u00e9 uma rodovia pedagiada (isso n\u00e3o deixa de ter uma rela\u00e7\u00e3o transversal, mas n\u00e3o direta, com a escolha objetal sexuada): para ser homem \u00e9 preciso uma identifica\u00e7\u00e3o maci\u00e7a com uma virilidade bruta, quase sempre assentada na tr\u00edade futebol (em especial o de time e de est\u00e1dio, j\u00e1 que h\u00e1 um futebol inclusivo e convival: o sal\u00e3ozinho de praia), brigas f\u00edsicas na escola ou na rua (redivivas hoje pela patologia desportiva das lutas de MMA), e objetifica\u00e7\u00e3o das mulheres de modo a fazer delas valor de troca (quantas e quais voc\u00ea est\u00e1 comendo? quantas comeu? quando come\u00e7ou a furar uma buceta? foi com puta, ou descaba\u00e7ou alguma?) e menos valor de uso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ai de quem n\u00e3o pode, ou se recusou, por algum motivo a tomar esta via! &#8211; sua identidade como homem vai ter de ser constru\u00edda, se o for, atrav\u00e9s de picadas abertas a fac\u00e3o, estradas vicinais esburacadas e mal-sinalizadas, embora \u00e9 verdade com vistas bel\u00edssimas e, se o sujeito faz sua travessia, chega do outro lado mais rico e talentoso, mais diverso nem que seja por n\u00e3o ter contra\u00eddo d\u00edvidas a t\u00edtulo de ser homem, mais senhor de si &#8211; mais homem, embora de um modo menos \u00f3bvio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por muito tempo considerei que era mais f\u00e1cil para um sujeito fazer uma escolha, ou uma descoberta, homossexual tardia uma vez j\u00e1 estando dentro da rodovia pedagiada &#8211; quantos bons parceiros n\u00e3o encontrar\u00e3o esses meninos que, tendo constru\u00eddo sua imagem de macho sem m\u00e1culas e sem erros de leitura, s\u00f3 depois passam a gostar de outros meninos! Ledo engano: este acidente desejante torna tudo mais atravancado: sua identidade abre rachaduras e vazamentos diante dos quais ele n\u00e3o sabe o que fazer; seu tes\u00e3o pelos rapazes, por mais que seja vivido na pr\u00e1tica, sofre sempre limita\u00e7\u00f5es inexplic\u00e1veis e pouco econ\u00f4micas; seu desejo pelas mulheres, que ao meu ver segue leg\u00edtimo, tartamudeia, gagueja &#8211; e eles ter\u00e3o de fazer longos retornos na rodovia, abandonar o carro e abrir trilhas vicinais quase sem instrumental para tanto. Se v\u00eaem, talvez, sozinhos pela primeira vez, e sem qualquer tecnologia de solid\u00e3o para articular isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E assim como os que tiveram acesso a sua masculinidade pelas estradas vicinais n\u00e3o t\u00eam todos escolha de objeto homossexual (<a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3854\" target=\"_blank\">a maioria porta uma heterossexualidade dissidente, assonante, mas heterossexualidade ainda exclusiva<\/a>), o mesmo vale para a estrada pedagiada: mesmo dentro dela com pleno desejo heterossexual, nenhuma hip\u00f3tese de rachadura ou contradi\u00e7\u00e3o, o custo disso para si e para todos os outros \u00e9 alt\u00edssimo e se paga nem que seja com as ant\u00edpodas da m\u00e1xima eastwoodiana que abre este ensaio: a nega\u00e7\u00e3o da sensibilidade como coisa de mulherzinha, o &#8220;<b><i>homem n\u00e3o chora<\/i><\/b>&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><b>* * *<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed reside o grande erro t\u00e1tico da <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3412\" target=\"_blank\">Viadagem Institucional<\/a>, das feministas e dos queer. De um lado, <a href=\"http:\/\/davidbutter.tumblr.com\/post\/68968766999\/a-sede-de-fixacao\" target=\"_blank\">as feministas n\u00e3o buscaram feminilizar os homens mantendo-os masculinos, mas sim tornarem-se elas pr\u00f3prias mulher-macho e feminiliz\u00e1-los ao limite da impot\u00eancia &#8211; uma rea\u00e7\u00e3o histericamente ressentida<\/a>. De outro, a Sopa de Letrinhas n\u00e3o percebeu que apenas uma minoria dos sujeitos com escolhas objetais homossexuais se colocam o problema da feminilidade como central &#8211; talvez os sujeitos mais fr\u00e1geis, sem d\u00favida: as bichas pobres de periferia, cujo repert\u00f3rio semiol\u00f3gico \u00e9 t\u00e3o parco que as faz confundir desejo, identidade e real do corpo. A larga maioria dos homens que de alguma forma desejam homens (ou cuja masculinidade \u00e9 dissidente), dentro ou fora do ped\u00e1gio, n\u00e3o \u00e9 sequer tocada com isso &#8211; j\u00e1 que as quest\u00f5es que se colocam, e que os libertaria, s\u00e3o as mesmas desde os tempos de Xenofonte: como ser homem desejando outro homem? como continuar desejando as mulheres apesar disso, ou a partir disso? a quem interessa que assim o seja? enfim: sou soberano de mim? como virei a ser?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os queer nisso elevam o absurdo \u00e0 pantomima: a feminiliza\u00e7\u00e3o chega ao limite de que todo mundo, no fim das contas, \u00e9 transsexualiz\u00e1vel, que a inquiri\u00e7\u00e3o da masculinidade \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o apenas do s\u00e9culo XIX (na verdade, \u00e9 a\u00ed que ela entra em ocaso&#8230;), fruto meramente da disposi\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica dos mict\u00f3rios, e outras queijandas imbecilidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As solu\u00e7\u00f5es t\u00eam sido, para manter a met\u00e1fora rodovi\u00e1ria, fazer um buz\u00fa fretado em que dentro estar\u00e3o barbies, ursos, bichinhas fashion, travestis e sapat\u00e3o para baratear o pre\u00e7o do ped\u00e1gio &#8211; quando tenho dito h\u00e1 muito que as Viadagens Institucionais t\u00eam muito o que aprender com o movimento ciclovi\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para aqueles que defendem os modos de transporte n\u00e3o-motorizados e de propuls\u00e3o humana (bicicleta \u00e9 apenas sua ep\u00edtome), n\u00e3o interessa tanto demandar do estado uma certa infraestrutura, mas pegar pela m\u00e3o um a um dos que querem mudar os modos pessoais de uso da cidade e ensin\u00e1-los em rede, com paci\u00eancia, horizontalmente. Chama-se a isso de bike-anjo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este trabalho microf\u00edsico e do comum os GLBTTWZ-KY nunca quiseram fazer. Por exemplo, <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3763\" target=\"_blank\">usar os chats de pega\u00e7\u00e3o<\/a> (l\u00e1 onde o desejo vira mero gozo porque desritualizado, sem met\u00e1foras) para, com sorte, ao seu avesso, pacientemente fazer um do-in libidinal, uma acupuntura afetiva, irrig\u00e1-lo de met\u00e1foras e de ritos a serem inventados, n\u00e3o para que o sujeito &#8220;saia do arm\u00e1rio&#8221;, mas sim da d\u00edvida pedagiada de sua masculinidade &#8211; usar o desejo menos como problema psicossocial e mais como instrumento revolucion\u00e1rio. Marx nos diz que o sujeito sozinho n\u00e3o \u00e9 livre, mas a coletividade enquanto tal tamb\u00e9m nunca se libertar\u00e1 &#8211; trata-se de contaminar dadivosamente, e permitindo-se contaminar, em fractal, com minha liberdade o outro que quer tamb\u00e9m ser livre. Levar o sujeito a cavalgar (ou pedalar) o pr\u00f3prio desejo, no limite devir-centauro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, ao inv\u00e9s de a homossexualidade ser um problema na, ou da, ou para a masculinidade, o contr\u00e1rio: a identidade de macho passa a ser algo compreens\u00edvel a partir do desejo pelos homens &#8211; como ali\u00e1s o era para o Imperador Adriano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E nem proponho isso para que se &#8220;deixe de ser heterossexual&#8221;, se \u00e9 isso que o sujeito quer ser (embora seja improv\u00e1vel que diante dos afetos, dos desejos e das inquiri\u00e7\u00f5es subjetivas, tais identidades se mantenham); antes o contr\u00e1rio: para que os sujeitos possam ter a liberdade de serem heterossexuais; uma vez que a heterossexualidade hoje \u00e9, mais do que compuls\u00f3ria, endividada, transform\u00e1-la em mero direito j\u00e1 seria uma subvers\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>para R\u00f4mulo Henrique,\u00a0saindo da rodovia pedagiada em seus descaminhos de atalhos vicinais tardios (oxal\u00e1 lhe sirva de placas indicativas \u00a0no mapa que est\u00e1 a construir) \u00a0 para meu av\u00f4 Alexinaldo (in memoriam), em suas aleias ajardinadas. 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