{"id":3868,"date":"2013-10-28T10:45:32","date_gmt":"2013-10-28T13:45:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3868"},"modified":"2025-12-24T13:02:54","modified_gmt":"2025-12-24T16:02:54","slug":"crise-das-massas-criticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3868","title":{"rendered":"Crises das Massas Cr\u00edticas!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><b>Sintoma, Queixa, Demanda <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o <a href=\"http:\/\/www.espn.com.br\/post\/361913_a-bicicletada-esta-morta-longa-vida-a-bicicletada-parte-4-o-hype-da-bicicleta-bike-e-legal\" target=\"_blank\">ex-Luddista, as Massas Cr\u00edticas (Bicicletadas) est\u00e3o em crise no mundo inteiro<\/a>, o que parece consternar e admirar; o que n\u00e3o admira nem consterna, mas deveria, \u00e9 que nada disso \u00e9 admir\u00e1vel ou digno de consterna\u00e7\u00e3o: as Massas Cr\u00edticas, at\u00e9 por sua etimologia mesma, n\u00e3o podem existir fora da crise ou a revelia dela. Ao contr\u00e1rio, as Bicicletadas s\u00e3o por um lado um dos sintomas de uma crise (urban\u00edstica, energ\u00e9tica, fundi\u00e1rio-fiduci\u00e1rio-financeira), e s\u00f3 se justificam se elas pr\u00f3prias criarem crises (ou, para dizer melhor num psicanal\u00eas de botequim, criarem caso &#8211; no sentido em que Bicicletadas s\u00e3o, conceitualmente, mais da ordem da queixa hist\u00e9rica do que de um sintoma, digamos, de paralisia: \u00e9 isso que garante que elas se movam, engendrem la\u00e7os sociais em s\u00e9rie, tenham visibilidade, e ao mesmo tempo um nem-te-ligo pro estado digno da mais Bela das Indiferen\u00e7as).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><b>Permuta\u00e7\u00e3o combinat\u00f3ria e arranjo matricial<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta forma, gostaria que se considerasse a exclama\u00e7\u00e3o no t\u00edtulo do presente ensaio em seu sentido matem\u00e1tico: proponho uma permuta, n\u00e3o apenas como troca de um significante por outro (fazer poesia \u00e9 j\u00e1 empenar o poder da l\u00edngua), mas como multiplica\u00e7\u00e3o infinitesimal de todos os entes da s\u00e9rie (que, ali\u00e1s, n\u00e3o formam conjunto) na an\u00e1lise combinat\u00f3ria. Quero dizer que, se por um lado n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda para a Crise das Massas Cr\u00edticas (e tentar ach\u00e1-las \u00e9 esvazi\u00e1-las de seu car\u00e1ter massivo, cr\u00edtico e cr\u00edsico, \u00e0s vezes resvalando por uma identifica\u00e7\u00e3o grupal num luto em torno de um para\u00edso perdido posto que idealizado), \u00e9 preciso fazer os termos da opera\u00e7\u00e3o girarem t\u00e3o r\u00e1pido que se acabe n\u00e3o saindo do lugar (como a segunda Alice de Carroll), tal qual o faz seu advers\u00e1rio por excel\u00eancia que \u00e9 o Discurso do Capitalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, que se pense n\u00e3o apenas na Crise das Massas Cr\u00edticas, e sim tamb\u00e9m na Cr\u00edtica da Crise das Massas, e n\u00e3o estanque-se a\u00ed, chegando mesmo a uma Massa Cr\u00edtica das Crises, uma Crise Cr\u00edtica das Massas e at\u00e9 uma Cr\u00edtica das Massas em Crise numa Massa de Crises Cr\u00edticas. S\u00f3 a\u00ed os termos da permuta\u00e7\u00e3o se distribuem numa matriz.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><b>A import\u00e2ncia da aus\u00eancia e a aus\u00eancia de import\u00e2ncia<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Disse, <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3528\" target=\"_blank\">no epis\u00f3dio do motim da Pol\u00edcia Militar da Bahia, que ao apostar na import\u00e2ncia de sua aus\u00eancia a PM poderia chegar at\u00e9 a aus\u00eancia de sua import\u00e2ncia<\/a> (isso vale para qualquer greve, ali\u00e1s). De certa forma, o processo das Bicicletadas (e das pol\u00edticas ciclovi\u00e1rias em geral) deveriam ser o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/salvadorvaidebike?fref=ts\" target=\"_blank\">Tomemos o exemplo recente de Salvador, cuja pol\u00edtica ciclovi\u00e1ria municipal involuntariamente quer tanto ser uma des-pol\u00edtica (o que n\u00e3o \u00e9 uma n\u00e3o-pol\u00edtica) que se chama de &#8220;Movimento&#8221;<\/a>: ao simplesmente distribuir (bons) biciclet\u00e1rios em v\u00e1rios locais (ruins) e colocar um (pequeno) sistema de bike-share, mas sem ouvir a popula\u00e7\u00e3o usu\u00e1ria e as lideran\u00e7as de bairro e sem sequer falar da necessidade de segrega\u00e7\u00e3o f\u00edsica, ela faz mais pela normaliza\u00e7\u00e3o do uso do que imagina. Uma pol\u00edtica neoliberal como esta aposta tanto na obsol\u00eancia do Estado que pode chegar ao Estado da obsol\u00eancia: lembremos que \u00e9 sempre pela Ind\u00fastria do Medo que as formas-estados imp\u00f5em ciclovias de um lado, e capacete do outro &#8211; quando o pulo do gato da cicloviabilidade vir\u00e1 quando justamente nenhum tipo de infra-estrutura especial se fizer necess\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta op\u00e7\u00e3o de Grampinho \u00e9 menos aus\u00eancia de estado do que estado de aus\u00eancia, libertando os sujeitos da depend\u00eancia paternalista do mesmo (ainda que como efeito colateral de uma tentativa populista de subjugar sutilmente).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um erro das Bicicletadas ser uma demanda ao estado &#8211; e ao avesso, o equ\u00edvoco da pol\u00edtica municipal de Salvador talvez devesse ser mimetizado pelas Massas Cr\u00edticas: apostar na sua aus\u00eancia de import\u00e2ncia para chegar a import\u00e2ncia de sua aus\u00eancia (um sistema ciclovi\u00e1rio digno precisa tanto de n\u00e3o ter ciclovias quanto de n\u00e3o ter Bicicletadas, porque ambas s\u00e3o irrelevantes ap\u00f3s a normaliza\u00e7\u00e3o do uso). As Massas Cr\u00edticas seriam assim uma anti-greve (favor n\u00e3o confundir com trabalho volunt\u00e1rio n\u00e3o-remunerado): precisam acontecer sem qualquer narcisismos, nem pretens\u00e3o de efeito outro que n\u00e3o desaparecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><b>Organismo X Mecanismo (o dilema positivista)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para isso, no entanto, elas precisam assassinar em parric\u00eddio o paradigma positivista de onde vieram. Simplificatoriamente, poder\u00edamos dizer que o positivismo se baseia num trip\u00e9: a compreens\u00e3o mec\u00e2nica do mundo, o mito da consci\u00eancia como efic\u00e1cia hipot\u00e9tica neste mundo, e a conclus\u00e3o de que, uma vez que esta efic\u00e1cia da consci\u00eancia n\u00e3o se realiza, \u00e9 preciso tutelar as pessoas a partir de uma consci\u00eancia superiormente racional, seja o Estado, seja o capital, seja a ci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3839\" target=\"_blank\">Esta praga infecta at\u00e9 mesmo os urbanistas que se dizem jacobsianos: estes na verdade tomam tudo de Jane Jacobs (quadras curtas, m\u00faltiplos usos, densidade habitacional, etc.), menos o essencial<\/a> (o fato de que a cidade \u00e9 um organismo vivo e sensciente, ainda que seus dispositivos eficazes de auto-gest\u00e3o sejam inconscientes e involunt\u00e1rio) e menos ainda sua conseq\u00fc\u00eancia radical (o Estado nasce da cidade e a parasita; as cidades precisam se livrar do estado, se querem prosperar &#8211; e isso n\u00e3o quer dizer estrategicamente fortalecer as prefeituras ou a municipalidade, embora tal seja importante de um ponto de vista t\u00e1tico). A dona-de-casa canadense radicada em Nova York apostava tudo na economia pol\u00edtica do comum &#8211; n\u00e3o apenas sem, mas contra o estado (e o capital) &#8211; antes mesmo de o conceito existir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(<a href=\" https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3412\" target=\"_blank\">Este n\u00e3o \u00e9 um problema apenas dos urbanistas: os movimentos LGBTWZ-KY ao mesmo tempo julgam Freud um conservador, mas nunca o tomam radicalmente.<\/a> O que a Viadagem Institucional prop\u00f5e? Que a homossexualidade seja normalizada; Freud foi al\u00e9m e estabeleceu que at\u00e9 mesmo a heterossexualidade \u00e9 uma patologia a ser explicada. Por outro lado, v\u00eam os Queer com a id\u00e9ia de que qualquer patologia \u00e9 acriticamente v\u00e1lida, o que \u00e9 francamente imbecil).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ocorre que a medioclasse que em geral incita e forma a Massa Cr\u00edtica pode cair neste paradigma, e dicotomizar-se: ou foram as Bicicletadas que levaram ao surgimento de uma massa de usu\u00e1rios novos e de pol\u00edticas p\u00fablicas, ou ao contr\u00e1rio elas s\u00e3o in\u00fateis para tal. Ora, nem uma coisa nem outra: as Bicicletadas s\u00e3o expedientes imunol\u00f3gicos espont\u00e2neos, involunt\u00e1rios e inconscientes que o organismo-cidade produz &#8211; s\u00e3o como a tosse numa pneumonia: a doen\u00e7a n\u00e3o se cura por causa da tosse, mas n\u00e3o se cura sem ela; <a href=\"http:\/\/transporteativo.org.br\/wp\/2010\/04\/22\/massa-critica-falha-critica\/\" target=\"_blank\">as Massas Cr\u00edticas precisam se colocar nesta categoria de excentricidade: nem poss\u00edvel, nem necess\u00e1rio, nem suficiente, nem contingente &#8211; as mudan\u00e7as, infra e superestruturais, acontecem apesar delas mas n\u00e3o sem elas<\/a>, organicamente e n\u00e3o mecanicamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><b>Cr\u00edtica da cr\u00edtica &amp; crise das crises<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda dentro do encantamento estatizante que as Massas Cr\u00edticas podem desenvolver, gostaria de tomar dois exemplos c(l)\u00ednicos: a admira\u00e7\u00e3o que tais movimentos v\u00eam demonstrando pelo, de um lado, ex-prefeito de Bogot\u00e1 Henrique Pe\u00f1alosa, e de outro pela Secret\u00e1ria de Transporte de Nova York Janete Sadic-Kahn.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pe\u00f1a, programaticamente de esquerda, de fato aumentou o Direito \u00e0 Cidade dos pobres e incluindo no processo os ricos, gerando igualdade real, material e cotidiana &#8211; isto \u00e9 sempre louv\u00e1vel. O que em geral se esquece \u00e9 que seu discurso \u00e9 f\u00f3bico e higienista de outra forma: a prega\u00e7\u00e3o por capacetes e por espa\u00e7os delimitados &#8211; nem falo apenas de ciclovias segregadas, e sim de uma fetichiza\u00e7\u00e3o dos parques a que Jane Jacobs j\u00e1 denunciava. Ele, ao fim e ao cabo, \u00e9 um City-Beautiful que pirateia Jacobs (que odiava os Beautiful tanto quanto odiava o rodoviarismo de Le Corbusier &#8211; e ali\u00e1s, mostrava como s\u00e3o as duas faces da mesma moeda), com todo o tutelismo que isso implica. Para Pe\u00f1alosa os cidad\u00e3os, em particular os pobres, s\u00e3o incapazes de se proverem a si mesmos, beiram o retardo mental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miss Sadic-Kahn est\u00e1 no exato oposto: aposta tudo na economia da cidade, no uso espont\u00e2neo e compartilhado dos espa\u00e7os &#8211; e nisso \u00e9 mais jacobsiana do que ele. Ocorre que ela faz isso numa gest\u00e3o neoliberal que \u00e9 uma continuidade em zigzag do toler\u00e2ncia-zero de Rudy Juliani: se este baixava o porrete nos pobres que ousassem transitar a p\u00e9 de noite, Bloomberg \u00e9 mais sutil e simplesmente faz vista grossa para a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e ignora a moradia popular. Ignora ao ponto de sequer investir nos malditos <i>projects<\/i> (o equivalente americano dos nossos BNHs, Minha Casa Minha D\u00edvida, e conjuntos habitacionais): Jane Jacobs os odiava, \u00e9 verdade, mas via que mesmo eles criavam espontaneamente solu\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas &#8211; seus corredores intermin\u00e1veis se tornavam ruas internas, onde n\u00e3o havia com\u00e9rcio surgiam ambulantes, camel\u00f4s e feiras de bairro, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que li\u00e7\u00e3o se tira disso para as Bicicletadas? Que a crise da qual s\u00e3o parte e sobre a qual se dobram n\u00e3o \u00e9 meramente a motoriza\u00e7\u00e3o das cidades &#8211; tamb\u00e9m a motoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 um sintoma de uma crise maior, que envolve por exemplo o <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3864\" target=\"_blank\">Brasil resolver explorar petr\u00f3leo no pr\u00e9-sal quando este paradigma energ\u00e9tico entra em decad\u00eancia aparentemente irrevers\u00edvel<\/a>; envolve a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria que n\u00e3o toca apenas aos apartamentos vazios da Barra (superocupados durante o carnaval), mas empresas internacionais de produ\u00e7\u00e3o de cidade privada como a McKinsey (que coopta at\u00e9 governos de esquerda, como o de Fernando Haddad).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas crises, por sua vez j\u00e1 gigantescas, s\u00e3o parte de uma crise maior: o capitalismo afinal n\u00e3o tem crises, \u00e9 a crise ele mesmo. Temos assim uma crise de crise de crises (algo como o <i>Pr\u00f3logos com um Pr\u00f3logo de Pr\u00f3logos<\/i>, de Jorge-Lu\u00eds Borges), fractalmente &#8211; e as Bicicletadas s\u00e3o, assim, apenas a pontinha da couve-flor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed que uma Massa Cr\u00edtica que queira resolver sua crise n\u00e3o \u00e9 digna do nome (tanto quanto governos de esquerda que tentaram resolver a crise de 2008 apenas a mantiveram: a Isl\u00e2ndia \u00e9 justamente o anti-exemplo, uma vez que fez a crise da crise); deveria antes abra\u00e7ar a crise e buscar a metacrise com metacr\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><b>Aposcalipsos &amp; Entreguistas<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez que, na pr\u00e1tica, n\u00e3o h\u00e1 estado municipal do mundo que ignore essa \u00faltima infloresc\u00eancia da crise, talvez seja hora de deformar a dicotomia e o eixo que originaram as Bicicletadas. <a href=\"http:\/\/transporteativo.org.br\/wp\/2008\/09\/30\/ciclistas-apocalipticos-integrados\/\" target=\"_blank\">Apocal\u00edpticos e Integrados<\/a> s\u00e3o, hoje, duas formas de vestir a mesma pol\u00edtica de voragem do estado e do capital sobre o comum &#8211; e n\u00e3o mais duas formas de leitura que se tinha antes sobre como libertar o comum do capital e do estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Para al\u00e9m do fato, \u00e9 claro, de que Apocal\u00edpticos X Integrados \u00e9 uma dicotomia crist\u00e3: a ressurrei\u00e7\u00e3o da carne, cat\u00f3lica X a salva\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito, protestante; a escatologia teleol\u00f3gica da S\u00e9 X a auto-realiza\u00e7\u00e3o pelas obras, calvinista; etc. Talvez tenhamos de mergulhar em outros paradigmas: ind\u00edgena bororo, em que o mundo j\u00e1 acabou no momento mesmo em que foi criado e n\u00e3o vivemos sen\u00e3o o seu fim e por isso festejemos; ou ainda, budista ou indiano lato senso, em que o mundo n\u00e3o come\u00e7ou nem acaba, e tudo \u00e9 repeti\u00e7\u00e3o e eterno retorno at\u00e9 que se repita algo novo, se repita aquilo que nunca ocorreu, se repita a aus\u00eancia de repeti\u00e7\u00e3o, etc).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De um lado, ser Integrado hoje \u00e9 entregar ao estado (e este ao capital) a capacidade de libertar os sujeitos e as subjetividades &#8211; a forja de uma liberdade de playground de condom\u00ednio fechado, alastrando-se pela cidade em forma de ciclofaixas (de lazer ou n\u00e3o); ou, pior ainda, fazer das Bicicletadas uma forma-estado que libertar\u00e1 por tutela e desalienar\u00e1 alienando. Ser Integrado virou ser Entreguista, inclusive no sentido varguista do termo (Dilma, por exemplo, n\u00e3o faz sen\u00e3o entregar, a t\u00edtulo de integrar: o petr\u00f3leo aos chineses, a moralidade aos evang\u00e9licos neopentecostais, etc), dobrando o brizolismo sobre si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De outro, n\u00e3o se trata mais de ser Apocal\u00edptico, at\u00e9 por impossibilidade material uma vez que os estados-municipais v\u00e3o buscar dar conta da massa ciclovi\u00e1ria que dev\u00e9m &#8211; se trata de devir <a href=\"http:\/\/letras.mus.br\/doces-barbaros\/495357\/\" target=\"_blank\">Aposcalipso, no sentido Doces B\u00e1rbaros<\/a> do termo (para se chegar ao sentido <a href=\"http:\/\/letras.mus.br\/camisa-de-venus\/202196\/\" target=\"_blank\">Camisa de V\u00eanus<\/a> do mesmo conceito).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sintoma, Queixa, Demanda Segundo o ex-Luddista, as Massas Cr\u00edticas (Bicicletadas) est\u00e3o em crise no mundo inteiro, o que parece consternar e admirar; o que n\u00e3o admira nem consterna, mas deveria, \u00e9 que nada disso \u00e9 admir\u00e1vel ou digno de consterna\u00e7\u00e3o: as Massas Cr\u00edticas, at\u00e9 por sua etimologia mesma, n\u00e3o podem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[919,13,9],"tags":[1030,889,1881,1882,1374,1031,1860,1630,1883,15],"class_list":["post-3868","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-01flanar","category-01ler","category-01viver","tag-apocalipticos","tag-bicicleta","tag-bicicletada","tag-crise","tag-direito-a-cidade","tag-integrados","tag-jane-jacobs","tag-massa-critica","tag-positivismo","tag-salvador"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3868"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3868\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3872,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3868\/revisions\/3872"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}