{"id":3842,"date":"2013-08-19T17:11:12","date_gmt":"2013-08-19T20:11:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3842"},"modified":"2025-12-24T13:02:54","modified_gmt":"2025-12-24T16:02:54","slug":"por-que-blogueio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3842","title":{"rendered":"Por que blogueio?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><b><i>para <a href=\"http:\/\/descurvo.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">Hugo Albuquerque<\/a>,<\/i><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><b><i>que tamb\u00e9m tem se posto esta d\u00favida<\/i><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><b><i>e por isso blogado pouco<\/i><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><em><strong>e <a href=\"http:\/\/moysespintoneto.wordpress.com\/\" target=\"_blank\">Moys\u00e9s Pinto Neto<\/a>,<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><em><strong>que quase n\u00e3o tem blogado<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><em><strong>e por isso est\u00e1 (infelizmente) mais govern\u00e1vel<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"right\"><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os weblogs se mant\u00e9m talvez como \u00fanica forma livre de rela\u00e7\u00f5es sociais e afetivas da internet (neste meio que medeia tudo tecnologicamente, concorrendo com as rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o-mediadas e reais do uso das ruas, o blog sobrecarrega a media\u00e7\u00e3o e acaba sendo i-mediado), porque t\u00eam qualquer coisa de ovidianamente prot\u00e9ica &#8211; isto \u00e9, sua forma-fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o cessa de n\u00e3o permanecer a mesma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surgidos como di\u00e1rios \u00edntimos, mas p\u00fablicos, rapidamente passaram a servir pra outra coisa, de ativismo pol\u00edtico a marketing dirigido de pequenas (e grandes) empresas; <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=479\" target=\"_blank\">flertam tanto com a cr\u00f4nica<\/a> quanto com a constru\u00e7\u00e3o de longo fundo, da ordem da tese e, melhor dizendo, da sistem\u00e1tica escol\u00e1stica; e ao cabo n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o uma forma hodierna da literatura epistolar de m\u00e3o em m\u00e3o &#8211; que as listas de email tentaram ser e n\u00e3o foram &#8211; como a que garantiu o ambiente liter\u00e1rio do barroco ingl\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembro que este aqui surgiu justamente porque minha amiga e designer deste espa\u00e7o virtual insistia que minhas considera\u00e7\u00f5es pol\u00edticas sobre a cultura na Bahia (e nem tanto minha literatura) n\u00e3o podiam ficar confinadas ao c\u00edrculo de amigos e amigos-de-amigos que era ent\u00e3o o Orkut &#8211; no entanto, um nascedouro importante para tal. Eu n\u00e3o podia vir a ser &#8220;um John Donne do terceiro mundo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o por acaso, escolho como subt\u00edtulo deste, &#8220;Pol\u00edticas \u00cdntimas&#8221; &#8211; \u00e9 nesta forma liter\u00e1ria espec\u00edfica, a primeira em que o suporte j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 nem o papel nem a fala, que o p\u00fablico penetra na subjetividade, ou antes que esta penetra\u00e7\u00e3o (que, Barthes nos lembra, sempre se deu e constitui a Hist\u00f3ria mesma enquanto objeto digno do nome) fica posta a aberto, uma radiografia em movimento. Da\u00ed que o car\u00e1ter de di\u00e1rio \u00edntimo nunca tenha se perdido &#8211; embora, por outros motivos, ele hoje derivou para mim numa forma de grafia cursiva \u00e0 caneta num pequeno caderno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, no entanto, \u00e9 chav\u00e3o meu, aqui e alhures, que como Stendhal escrevo para os &#8220;happy few&#8221;, e como o narrador a que podemos chamar de Marcel n\u00e3o pretendo ter leitores sen\u00e3o amigos. Se assim o \u00e9, por que ent\u00e3o rejeitar a f\u00f3rmula mais privada e orkutiana-pr\u00e9-2006 de antes, e optar pelo blog?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque talvez neste formato n\u00e3o se trata de dizer algo para os amigos que j\u00e1 se tem, mas sim de criar amigos a partir do que se diz. Penso-me como aquela bichona quadrinista negro de <em>Chasing Amy<\/em> (bel\u00edssima adapta\u00e7\u00e3o de Kevin Smith para o tema proustiano do ci\u00fame dos homens em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 homossexualidade das mulheres): &#8220;I&#8217;m the minority, of the minority of the minority &#8211; and there is no one to suport my ass, bitch! And I ain&#8217;t complaining&#8230;&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evidentemente que meu devir minorit\u00e1rio \u00e9 oposto ao deste personagem, e similar ao do Bar\u00e3o de Charlus (a quem este personagem em parte substitui no filme): conservador demais para tolerar o discurso queer, mas tamb\u00e9m com rep\u00fadio a (va l\u00e1!) heteronormatividade burguesa; monarquista enquanto marxiano, e marxiano enquanto monarquista (nisto, est\u00e1 bem, pare\u00e7o-me mais com o Marqu\u00easinho de Saint-Loup-en-Bray); erudito, pedestre ideol\u00f3gico, e da xibietagem. S\u00e3o tantas contradi\u00e7\u00f5es que, como na t\u00e1bua furada do <em>Em Busca Do Tempo Perdido<\/em>, eu estou exclu\u00eddo de todas as categorias (no que um ing\u00eanuo suporia que, assim, me encaixaria em todas elas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se um dia escrevemos em blog para tentar ter alguma influ\u00eancia, n\u00e3o sem sucesso, na formula\u00e7\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, n\u00e3o \u00e9 isto seguramente que sustenta tal escrita. Mantemos estes espa\u00e7os como aqueles diapas\u00f5es da NASA no deserto de Nevada em busca de qualquer sinal no universo que indique que houve vida civilizada alhures que n\u00e3o na Terra; ou como o grito repetido pelo personagem do The Wall: &#8220;Tem algu\u00e9m a\u00ed fora? Just nod if you can hear me!&#8221;; para-al\u00e9m da ep\u00edstola aberta palaciana, h\u00e1 algo de garrafa-ao-mar em campo de refugiado: uma alegria de registrar que existimos de uma forma discrepante relativamente ao nosso entorno imediato, e uma esperan\u00e7a de que um desconhecido que tamb\u00e9m o seja nos ache, ou que algu\u00e9m que ainda assim n\u00e3o seja se afete pela nossa sintaxe e se torne tamb\u00e9m ele um p\u00e1ria positivamente, e portanto um par nosso. Blogamos, enfim, por estarmos sozinhos, e para n\u00e3o estarmos sozinhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito dentro do lado de fora, e muito fora do lado de dentro, isto n\u00e3o deixa de dar resultados. Para ficar em dois exemplos, <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3610\" target=\"_blank\">Allan Castro e Maicon Lopes<\/a> s\u00e3o duas figuras que conheci pela internet <i>porque blogamos<\/i> &#8211; e com quem, embora pouco encontre, h\u00e1 reais e tranquilas intimidade e afinidade, ao oposto daquelas um tanto for\u00e7adas e artificiais que s\u00e3o gerenciadas por Facebooks&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Poderia, por outro lado, dizer que blog \u00e9 <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3705\" target=\"_blank\">como a poesia segundo Marianne Moore: &#8220;eu tamb\u00e9m desgosto<\/a>, h\u00e1 tanta coisa mais importante do que toda essa firula! No entanto, se olharmos para isto com certo desprezo, encontraremos nele um lugar para o genu\u00edno&#8230; Mas n\u00e3o nos arvoremos em nos contentar com meio-blogueiros, e nem poderemos dizer que temos literatos de imagina\u00e7\u00e3o at\u00e9 conseguirmos criar &#8216;jardins imagin\u00e1rios com sapos reais dentro'&#8221;. E, se te inquieta tudo isso, est\u00e1s sim interessado em blogar)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>para Hugo Albuquerque, que tamb\u00e9m tem se posto esta d\u00favida e por isso blogado pouco . e Moys\u00e9s Pinto Neto, que quase n\u00e3o tem blogado e por isso est\u00e1 (infelizmente) mais govern\u00e1vel \u00a0 Os weblogs se mant\u00e9m talvez como \u00fanica forma livre de rela\u00e7\u00f5es sociais e afetivas da internet (neste [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,9],"tags":[532,228],"class_list":["post-3842","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-01ler","category-01viver","tag-blog","tag-cronica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3842","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3842"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3842\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3844,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3842\/revisions\/3844"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3842"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3842"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3842"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}