{"id":3789,"date":"2013-01-02T08:49:12","date_gmt":"2013-01-02T11:49:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3789"},"modified":"2025-12-24T13:02:54","modified_gmt":"2025-12-24T16:02:54","slug":"detroit-toronto-bogota-salvador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3789","title":{"rendered":"Detroit, Toronto, Bogot\u00e1, Salvador"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Outras considera\u00e7\u00f5es a partir das elei\u00e7\u00f5es municipais de Salvador<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em geografia urbana, \u00e9 comum atribuir a certas patologias o nome de uma dada metr\u00f3pole que, se n\u00e3o as criou, ao menos as sofreu de um modo mais particular que outras. Assim, fala-se de Efeito Los Angeles quando se trata do espraiamento urbano ao longo de grandes rodovias urbanas (mais do que meras avenidas); Efeito Bilbao, quando um \u00fanico pr\u00e9dio (no caso, a sede do Museu Gugenheim, por Frank Gehry) modifica (e danifica) visualmente todo um centro antigo (nesse aspecto, podemos dizer que Oscar Niemeyer elevou o Efeito Bilbao \u00e0 m\u00e1xima pot\u00eancia); mais recentemente, <a href=\"http:\/\/socorronaotemnome.blogspot.com.br\/2011\/01\/detroit-destruida.html\" target=\"_blank\">Efeito Detroit quando a derrocada econ\u00f4mica p\u00f5e a perder todo um patrim\u00f4nio material (seus lend\u00e1rios pr\u00e9dios Art-Decor, paradigm\u00e1ticos da Era Diesel-Punk tanto quanto a Paris de Hausmann \u00e9 do Vapor-Punk) e imaterial (as quase tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es da m\u00fasica negra norte-americana que passaram pelos est\u00fadios MoTown, n\u00e3o sem grandes efeitos pol\u00edticos e sociais)<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Milton Santos por vezes aventou um (ou mais) Efeitos Salvador: &#8220;caso raro de metr\u00f3pole que n\u00e3o s\u00f3 perdeu industria para seus sub\u00farbios n\u00e3o-hist\u00f3ricos, como se tornou mera cidade dormit\u00f3rio deste&#8221;. Se isso \u00e9 atribu\u00edvel a constru\u00e7\u00e3o do Centro Administrativo da Bahia (CAB) na Avenida Lu\u00eds Vianna Filho (Paralela) e a implanta\u00e7\u00e3o do P\u00f3lo Petroqu\u00edmico de Cama\u00e7ari do modo que foi feito (duas atitudes do carlismo, embora planejadas na Avant Gard: o P\u00f3lo por R\u00f4mulo de Almeida n\u00e3o esvaziaria a capital de suas ind\u00fastrias e o CAB sob Roberto Santos, e por Sergio Bernardes, seria no Cabula, bem mais pr\u00f3ximo do Centro Antigo, e n\u00e3o retiraria deste os \u00f3rg\u00e3os propriamente pol\u00edticos como a Assembl\u00e9ia Legislativa do Estado), suas condi\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas v\u00eam de antes, como mostra o pr\u00f3prio Preto-Doutor em sua tese de doutoramento: das poucas metr\u00f3poles do mundo que nunca teve cintur\u00e3o verde (o CAB no Cabula seria um caminho para passar a ter, j\u00e1 que este sempre foi um bairro de ch\u00e1caras), seus v\u00edveres chegando de barco atrav\u00e9s do Rec\u00f4ncavo; os enormes espa\u00e7os conventuais e terrenos eclesi\u00e1sticos que s\u00e3o o embri\u00e3o da atual especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria da Reconvexa, junto com suas fazendas urbanas. Mesmo o esvaziamento de seu Centro Antigo (no caso do ent\u00e3o Maciel de Cima, hoje Pelourinho) e o preterimento da diversifica\u00e7\u00e3o de seus usos (leia-se: fazer do Com\u00e9rcio um bairro tamb\u00e9m residencial) j\u00e1 ocorriam sob o excelente (e pedestre!) governo de Oct\u00e1vio Mangabeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m n\u00e3o se venha atribuir ao Efeito Salvador problemas que n\u00e3o s\u00e3o dele: por exemplo, a afirma\u00e7\u00e3o analfabeto-arquitet\u00f4nica de que o Pal\u00e1cio Tom\u00e9 de Souza, de Lel\u00e9, \u00e9 uma &#8220;ferida modernista numa pra\u00e7a renascentista&#8221;; bem ao contr\u00e1rio, \u00e9 uma marca a mais nesse palimpsesto que \u00e9 a Pra\u00e7a Municipal, com um pr\u00e9dio de cada s\u00e9culo, de cada estilo; mais ainda, a Prefeitura de Lel\u00e9 consegue tornar c\u00edvica esta pra\u00e7a com sua escadaria quase barroca, e criar outra, com ares interioranos, na sombra de sua estrutura que n\u00e3o toca no ch\u00e3o e serve de enorme marquise para crian\u00e7as brincarem embaixo; de resto, \u00fanico vetor s\u00e9rio de voltar a usar o Centro Antigo para sua fun\u00e7\u00e3o originalmente projetada, a de sede de governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, Salvador foi pr\u00f3diga em que sua implanta\u00e7\u00e3o modernista mantivesse as solu\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas (artificializa\u00e7\u00e3o de cumeadas, a que as Passarelas de Lel\u00e9 s\u00e3o uma resposta ainda mais ousadas) e incorporasse a sintaxe arquitet\u00f4nica funcionalista e organicista solu\u00e7\u00f5es coloniais sem fazer uma arquitetura neo-colonial (penso nos comong\u00f3is de Di\u00f3genes Rebou\u00e7as e no seu escoramento de pr\u00e9dio sobre as encostas inclusive permitindo apartamentos subsolo com vista para os vales, o aproveitamento da ventila\u00e7\u00e3o vertical no Centro M\u00e9dico da Gra\u00e7a de Assis Reis, etc.) Se o Efeito Salvador \u00e9 uma antecipa\u00e7\u00e3o piorada de v\u00e1rias patologias metropolitanas (Toronto, Detroit, Los Angeles, Bogot\u00e1, you name it), ao menos do Bilbao escapamos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><strong>* * *<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todas as patologias urbanas que acometem essa S\u00edndrome de Lisboa Revisitada, a menos levada em conta talvez seja a de Toronto. O Efeito Toronto pode ser descrito basicamente como uma cidade cosmopolita, urbana e criativa, consegue eleger sucessivamente prefeitos suburbanos e carroc\u00eantricos; e explica-se por uma consequ\u00eancia do efeito Los Angeles: por mais que a popula\u00e7\u00e3o de dentro do Centro Expandido desta capital canadense seja intensamente metropolitana, ela n\u00e3o forma sozinha metade do eleitorado, que se espraia em sub\u00farbios americanos e tende assim a votar contra a diversidade, a intensidade urbana e a desmotoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro que isto \u00e9 sintoma da posi\u00e7\u00e3o amb\u00edgua do pr\u00f3prio Canad\u00e1: se Vancouver, no extremo oeste, se parece com a Austr\u00e1lia (no mau sentido) tanto ao ponto de ter bizarra lei obrigando uso de capacete por quem estiver pedalando uma bicicleta, na outra costa est\u00e1 Montreal, cidade que consegue ter qualidade urbana escandinava com criatividade latina &#8211; uma rara, mesmo milagrosa, combina\u00e7\u00e3o. Toronto, no meio do caminho entre ambas, vive seu dilema: nem col\u00f4nia americana, nem Common-Wealth ingl\u00eas, nem europeismo franc\u00f3fono, cada um desses vetores sem d\u00favida presentes anulando o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed o engodo em que Nelson Pelegrino caiu ao fazer um com\u00edcio em Cajazeiras: bairro profundamente isolado de Salvador, pavilhonista que por acidente rompeu com isso e se tornou comercialmente punjante, tende a votar contra a cidade. N\u00e3o votar \u00e0 direita, ou \u00e0 esquerda &#8211; o problema n\u00e3o \u00e9 ideol\u00f3gico, ou econ\u00f4mico, mas geogr\u00e1fico, e isso n\u00e3o \u00e9 revers\u00edvel por um, nem v\u00e1rios, com\u00edcios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, <a href=\"http:\/\/www.copenhagenize.com\/2012\/11\/beyond-rob-ford-more-hurdles-for-toronto.html\" target=\"_blank\">n\u00e3o se pense que o Efeito Toronto \u00e9 anti-pedestre: o prefeito Bob Ford, que acha que ciclista tem mais \u00e9 que morrer mesmo, defende os pedestres &#8211; desde que n\u00e3o seja um ataque aos carros<\/a>. Assim, a bicicleta, costumeiramente um vetor de intensifica\u00e7\u00e3o pedestre, \u00e9 desprezada l\u00e1 porque esta itensifica\u00e7\u00e3o vem da desintensifica\u00e7\u00e3o dos autom\u00f3veis. \u00c9 um uso dos pedestres contra si mesmo em nome de proteg\u00ea-los &#8211; meio como uma direita populista usa o proletariado contra si mesmo a t\u00edtulo de proteg\u00ea-los. Isso n\u00e3o \u00e9 estranho a Salvador: pense-se nas enormes al\u00e9ias da Pra\u00e7a do Campo Grande, em que h\u00e1 placas proibindo usar bicicleta em nome de proteger os pedestres &#8211; placas t\u00e3o sem sentido que, felizmente, nunca s\u00e3o observadas, e este verdadeiro parque na fronteira entre o Centro Nobre e o Centro Pobre da capital baiana pulula de crian\u00e7as aprendendo a pedalar, skates e patins.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><strong>* * *<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dito aumento de viol\u00eancia urbana em Salvador recentemente n\u00e3o se liga apenas ao aumento de crimes propriamente ditos &#8211; passa antes por uma viol\u00eancia difusa, uma grosseria constante, e uma apropria\u00e7\u00e3o ileg\u00edtima do espa\u00e7o p\u00fablico, mormente atrav\u00e9s de imposi\u00e7\u00f5es sonoras. Neste aspecto, Salvador nos lembra a Bogot\u00e1 anteriormente a Antanas Mockus e Henrique Pe\u00f1alosa: seus problemas s\u00e3o antes superestruturais do que infraestruturais, e desta forma n\u00e3o adianta melhorar o acesso infraestrutural, se n\u00e3o se operar diretamente na superestrutura, de modo digamos pedag\u00f3gico e psicoterap\u00e9utico. Ali\u00e1s, Bogot\u00e1 d\u00e1 exemplo disso: sem um Mockus antes fazendo basicamente interven\u00e7\u00f5es morais, as mudan\u00e7as infraestuturais de Pe\u00f1alosa seriam imposs\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><strong>* * *<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi outro m\u00e9rito da primeira elei\u00e7\u00e3o de Jacques Wagner a governador do estado da Bahia, e os primeiros e subsequentes anos da entrada do estado na l\u00f3gica da Reforma Cultural Brasileira: estes fatos nos inocularam, naquele momento, de um cosmopolitismo renovado, e mais do que toler\u00e2ncia, um interesse mesmo pela diferen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 dizer que da reelei\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Henrique\u00a0\u00e0 recente elei\u00e7\u00e3o de ACM, O Neto, para a prefeitura da capital tenham anulado estes efeitos. Em vez disso, por contraste entre a degrada\u00e7\u00e3o infraestutural que a cidade sofreu com Jo\u00e3o Henrique e a falta de polidez e sofistica\u00e7\u00e3o que leva a elei\u00e7\u00e3o de Grampinho, a Reforma Cultural Bahiana ganha peso. Se Salvador est\u00e1 uma cidade imunda e grosseira, tamb\u00e9m \u00e9 ela que pode sediar um <a href=\"http:\/\/www.tca.ba.gov.br\/content\/osba-30-anos-0\" target=\"_blank\">semin\u00e1rio de dois dias para discutir gest\u00e3o de orquestras sinf\u00f4nicas em n\u00edvel nacional <\/a>&#8211; para ficarmos em um s\u00f3 exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou, usando de uma met\u00e1fora, o fato de as cordas e os camarotes terem aumentado n\u00e3o faz com que o carnaval e a pipoca deixem de existir, embora os torne mais conflitantes e violentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto isso \u00e9 verdade que o novo semi-prefeito, auto-proclamado<a href=\"http:\/\/www.ibahia.com\/detalhe\/noticia\/futuro-gestor-municipal-da-cultura-recebe-classe-artistica-em-encontro\/\" target=\"_blank\"> primeiro gestor municipal do Ax\u00e9-System (ele n\u00e3o usou este termo porque o diabo n\u00e3o diz seu verdadeiro nome jamais), n\u00e3o pode ignorar o que direita chama, equivocamente, de &#8220;classe art\u00edstica&#8221;<\/a> (a Reforma Cultura gera uma tamanha diversidade que dificilmente estaremos todos sob um mesmo nome &#8211; o que n\u00e3o deixa de ter a ver com o fato de que o <a href=\"http:\/\/www.quadradodosloucos.com.br\/1934\/consumitariado\/\" target=\"_blank\">Consumitariado<\/a> \u00e9 na verdade a <a href=\"http:\/\/descurvo.blogspot.com.br\/2012\/09\/a-ascensao-selvagem-da-classe-sem-nome.html\" target=\"_blank\">ascens\u00e3o selvagem da classe inomin\u00e1vel<\/a>). <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/ultimobaile\/posts\/465108743526330\" target=\"_blank\">N\u00e3o s\u00f3 ele n\u00e3o ignora, como prefere cooptar-nos<\/a> &#8211; estamos falando de cooptar algo como o BaianaSystem, que desde seu discurso at\u00e9 suas pr\u00e1ticas se op\u00f5e ferozmente ao Ax\u00e9-System.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro, por um lado esse encontro do Secret\u00e1rio Municipal de Cultura &amp; Um Monte De Coisas foi articulada por <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3390\" target=\"_blank\">Pitty Canela &#8211; que se vem do Anti-Ax\u00e9, tornou-se Ax\u00e9-System de sinal trocado<\/a>, cooptada antes mesmo de a coopta\u00e7\u00e3o existir, <a href=\"http:\/\/www.quadradodosloucos.com.br\/2652\/o-comum-e-a-exploracao-2-0\/\" target=\"_blank\">explora\u00e7\u00e3o 2.0<\/a>. Mas, por outro,<a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2390\" target=\"_blank\"> gente que era do Ax\u00e9 veio para o lado de c\u00e1<\/a>. E \u00e9 sinal de vit\u00f3ria quando um advers\u00e1rio rec\u00e9m-empoderado prefere nos ter pr\u00f3ximos do que nos ter contra, embora essa vit\u00f3ria nos abra grandes possibilidades de derrota.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><strong>* * *<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A contradi\u00e7\u00e3o entre ter uma cidade degradada, no entanto culturalmente punjante, \u00e9 apenas aparente. Se \u00e9 verdade que a perda do contato p\u00fablico pedestre diminui os encontros fortuitos geradores de criatividade, por outro lado s\u00f3 isso nada garante: Curitiba, que tantos encontros pedestres provoca, \u00e9 a capital mundial do t\u00e9dio. H\u00e1 um fator raramente levado em conta: o conflito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cidades de excelent\u00edssima qualidade de vida costumam ser culturalmente an\u00f3dinas justamente porque, com a melhoria de sua condi\u00e7\u00e3o urbana, extirparam o conflito. San Francisco \u00e9 hoje uma cidade gentrificada, em que o Castros de bairro gay passa a bairro chic e as bichas querem ter filhos e casar; New Orleans, pobre, violenta, multi-religiosa, e um tanto ignorante, \u00e9 libertina e libert\u00e1ria como poucas. A\u00ed talvez resida o segredo de Montreal: qualidade urbana escandinava, mas com l\u00f3gica migrat\u00f3ria americana, herdou o melhor dos dois lados &#8211; boa pedestrabilidade, sem dirimir o conflito (e a\u00ed vai um elogio a Hausmann: ao inv\u00e9s de ter exclu\u00eddo os pobres, o prefeito de Paris sob Napole\u00e3o III talvez tenha criado a visibilidade dos mesmos &#8211; as Comunas de Almereyda e Elis\u00e9 Resclus seriam imposs\u00edveis sem a reforma do Bar\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro que Salvador pode recuperar muito de sua qualidade sem reduzir conflito, e ali\u00e1s potencializando a capacidade do conflito gerar criatividade. Contudo, a direita tende justamente a diminuir o conflito, a criatividade e a festividade nem que seja na porrada &#8211; talvez aqui n\u00e3o na porrada, mas mercantilizando uma Alegria como D\u00edvida (dos camarotes e blocos de corda) para extirpar a Alegria como D\u00e1diva (da pipoca). No entanto, a\u00ed o capital cai num paradoxo: os camarotes e blocos precisam mais da pipoca do que a pipoca precisaria deles (<a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3572\" target=\"_blank\">e a crise criativa de Ax\u00e9-System n\u00e3o tem sa\u00edda sem os frutos da Reforma Cultural, mas a Reforma e o Anti-Ax\u00e9 podem seguir em frente muito bem sem o Ax\u00e9-System<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembremos ainda que os frutos da Reforma Cultural sairam da \u00e1rea propriamente artistica e foram dar em coisas como a Bicicletada (Massa Cr\u00edtica) de Salvador, o <a href=\"http:\/\/movimentodesocupa.wordpress.com\/\" target=\"_blank\">Movimento Desocupa<\/a>, os <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/CanteirosColetivos\" target=\"_blank\">Canteiros Coletivos<\/a> e outras pequenas multid\u00f5es que intervem mais ou menos diretamente nas quest\u00f5es do Direito a Cidade. N\u00e3o s\u00e3o entidades apenas &#8220;de esquerda&#8221;: o <a href=\"http:\/\/sosbarra.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">SOS Barra<\/a> tendia ao voto no PFL neste \u00faltimo pleito, mas <a href=\"http:\/\/www.ibahia.com\/a\/blogs\/transito\/2012\/12\/17\/barra-antes-e-depois\/\" target=\"_blank\">n\u00e3o quer dizer um apoio autom\u00e1tico (nem analfabetismo urban\u00edstico) a quaquer tentativa de coopta\u00e7\u00e3o pelo novo prefeito<\/a>, e mesmo o Desocupa se gerou candidatos a vereadores eleitos a esquerda (como Gilmar Santiago), gerou ao menos um candidato (derrotado) ligado a nova Vice-Prefeita: <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=a8uNysOxheg\" target=\"_blank\">Waldir Santos<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quer dizer: mal-grado a entropia inercial em que Jo\u00e3o Henrique lan\u00e7ou Salvador, e talvez por causa disso mesmo, ACM Neto herda uma cidade bem mais complexa, e assim <a href=\"http:\/\/moysespintoneto.wordpress.com\/\" target=\"_blank\">mais ingovern\u00e1vel do que ele sup\u00f5e, e no melhor sentido do termo<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Outras considera\u00e7\u00f5es a partir das elei\u00e7\u00f5es municipais de Salvador Em geografia urbana, \u00e9 comum atribuir a certas patologias o nome de uma dada metr\u00f3pole que, se n\u00e3o as criou, ao menos as sofreu de um modo mais particular que outras. 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