{"id":3307,"date":"2011-08-01T22:33:36","date_gmt":"2011-08-02T01:33:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3307"},"modified":"2025-12-24T13:02:55","modified_gmt":"2025-12-24T16:02:55","slug":"ou-plinio-o-ignorante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3307","title":{"rendered":"ou Pl\u00ednio, O Ignorante"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a rel=\"attachment wp-att-3310\" href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?attachment_id=3310\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-3310\" title=\"xadrez\" src=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/xadrez-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>Primeiro conto meu publicado, quando levou men\u00e7\u00e3o honrosa ainda em 2006 pela <a href=\"http:\/\/www.guemanisse.com.br\/\" target=\"_blank\">Editora Guemanisse<\/a>. Escrito sob o des-Governo C\u00e9sar Borges (2001), meses depois da greve das Pol\u00edcias Civil e Militar, e sob o esc\u00e2ndalo dos grampos na Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica, hoje me soa como uma s\u00e1tira involunt\u00e1ria a esse per\u00edodo de apogeu e ao mesmo tempo decrepitude do carlismo. Mas na verdade foi apenas um dos primeiros efeitos de come\u00e7ar a ler Jorge-Lu\u00eds Borges.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Ignobilis Oraculae: Gamones<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Ou<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pl\u00ednio, O Ignorante<\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u201cArdiam casas, saqueadas eram<br \/>\nAs arcas e as paredes,<br \/>\nVioladas, as mulheres eram postas<br \/>\nContra os muros ca\u00eddos,<br \/>\nTraspassadas de lan\u00e7as, as crian\u00e7as<br \/>\nEram sangue nas ruas&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>(&#8230;)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>(mas) Quando o rei de marfim est\u00e1 em perigo,<br \/>\nQue importa a carne e o osso<br \/>\nDas irm\u00e3s e das m\u00e3es e das crian\u00e7as?\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Ricardo Reis, O Jogo de Xadrez dos Persas<\/em><em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 recentemente veio a baila a hist\u00f3ria de Pl\u00ednio II, dito O Ignorante, governador persa da Dalm\u00e1cia durante a primeira dinastia c\u00edrica, e muito curiosa \u00e9 sua hist\u00f3ria \u2013 e mais curioso ainda \u00e9 o modo que esta se perdeu e ficou perdida, e como se perdeu se t\u00e3o edificante; ou mesmo, talvez, como se ver\u00e1, sua pr\u00f3pria exist\u00eancia surpreenda, de estapaf\u00fardia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chega-nos num excerto perdido de um relato, qui\u00e7\u00e1 um di\u00e1rio, do desconhecido historiador romano Crasso Lucano Junos. O pouco que se sabe dele \u00e9 que foi disc\u00edpulo de Tito L\u00edvio, do que se infere, talvez muito erradamente, que tenha colaborado com este na escritura do Tratado de Hist\u00f3ria. Tito L\u00edvio n\u00e3o refere ao nome de Lucano Junos, nem tampouco o faz Marco Aur\u00e9lio, que tamb\u00e9m o teria consultado. Por falta de melhor vers\u00e3o, ficcional ou ver\u00eddica, confirmo o fato, embora, e talvez justamente porqu\u00ea, tenha severas d\u00favidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em toda a hist\u00f3ria do pensamento ocidental, Pl\u00ednio II jamais foi citado: um hiato h\u00e1 entre Pl\u00ednio I, O Glorioso, e Cr\u00edcio IX, O Impiedoso, na historiografia da antiga P\u00e9rsia. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o a isso \u00e9 uma carta de Maquiavel ao Dodge de Veneza, em que comenta o seu O Pr\u00edncipe. Nela, adverte ao Dodge que n\u00e3o pro\u00edba o jogo de cartas na cidade, apesar do surrupio de impostos a que tal fato levaria, a custo de que uma proibi\u00e7\u00e3o de um jogo pode levar a uma rebeli\u00e3o, e antes \u00e9 prefer\u00edvel um estado sem impostos, do que impostos sem estado; \u00e9 ent\u00e3o que conta, resumidamente, uma parte da hist\u00f3ria de Pl\u00ednio, O Ignorante, visando efeito parab\u00f3lico. Gra\u00e7as devemos a Maquiavel: n\u00e3o fosse ele, e Veneza teria, certamente, afundado. N\u00e3o se sabe a fonte donde Maquiavel retirou a f\u00e1bula, mas tudo indica que n\u00e3o refere ele a Lucano Junos, j\u00e1 que estes ap\u00f3crifos s\u00f3 ora foram encontrados numa esvaziada catacumba de Herculano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segue, ent\u00e3o, o trecho, traduzido, em primeira m\u00e3o, do latim:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c&#8230; Assume, ent\u00e3o, o governo da Dalm\u00e1cia, Pl\u00ednio II, filho de Tropilo V, neto de Cr\u00edcio III, sob a descend\u00eancia dos Ciros, recebendo, depois, a alcunha de O Ignorante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pl\u00ednio nunca foi uma crian\u00e7a brilhante: no livro dos Avestos nunca avan\u00e7ou um cap\u00edtulo; o paradoxo maniqueu nunca lhe tocou as tens\u00f5es do semblante, n\u00e3o por dist\u00e2ncia, mas por incompet\u00eancia. Entre Ormuz e Arum\u00e3, sem dificuldade preferiria uma fatia de mel\u00e3o da \u00cdndia ou estourar cabe\u00e7a de cobaias com pedras de granito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Achava, desde sempre, o xadrez um jogo al\u00e9m de sua capacidade, e, pelo h\u00e1bito de recha\u00e7ar o que n\u00e3o podia decifrar, considerava-o maligno e, talvez, uma amea\u00e7a a seu governo. Para ele, s\u00f3 as simplicidades repet\u00edveis, como as damas, ou o total absurdo rand\u00f4mico, como a loteria, faziam sentido. Por isso, um dos seus primeiros atos como governador foi proibir o jogo de xadrez dentro das fronteiras da Dalm\u00e1cia: a pena, para quem descumprisse a ordem, seria a de uma morte semelhante ao \u00faltimo xeque que recebeu em vida, elevado a \u00faltima pot\u00eancia. Por exemplo: uma mulher poderia ser atropelada por uma manada de cavalos, ou um homem morto pelos filhos do seu \u00faltimo advers\u00e1rio; havia mesmo a possibilidade de que um marido fosse morto por sua mulher, esta servindo de arma, coberta de barro, e caminhando de ponta-cabe\u00e7a. Felizmente, relato n\u00e3o h\u00e1 de t\u00e3o ins\u00f3litas execu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A popula\u00e7\u00e3o rapidamente ficou em polvorosa: uma rebeli\u00e3o sem precedentes nem descendentes se instalou naquelas terras. Durante semanas, multid\u00f5es, de 16 seres cada uma, rumavam em dire\u00e7\u00e3o ao pal\u00e1cio real, trajando os h\u00e1bitos mais bizarros, para protestarem. Cavalos eram travestidos de rainhas, camponeses aprendiam a ler e invadiam os monast\u00e9rios zoro\u00e1stricos; sumos-sacerdotes abandonavam seus sanctuns e iam lavrar os solos \u00e1ridos, e mesmo multid\u00f5es de b\u00e1rbaros mercen\u00e1rios ass\u00edrios eram contratados para carregarem casas inteiras em dire\u00e7\u00e3o a capital, com seus donos bradando em cima dos telhados. Tal era a balb\u00fardia, que a loteria, mesmo sendo permitida, deixou de existir enquanto durou aquela proibi\u00e7\u00e3o, por falta de quem nela apostasse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em quest\u00e3o de dois meses lunares de ingovernabilidade, Pl\u00ednio retirou o decreto. Em seu lugar, implementou outro, em que o jogo tornava-se liberado desde que a rainha n\u00e3o mais fosse uma pe\u00e7a \u00fatil. A Pl\u00ednio, que n\u00e3o chegara a se casar e n\u00e3o deixara descendentes, o que mais incomodava no enxadrismo era o poder que a dama era capaz de exercer; e o rei, t\u00e3o crucial, mal podia combater com um pe\u00e3o. Pela nova regra, era o rei que tinha uso ilimitado das casas, das dire\u00e7\u00f5es e dos ataques. A pena para estes novos criminosos era a mesma que para os antigos, as quais n\u00e3o chegaram a ocorrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fato \u00e9 que ningu\u00e9m obedeceu \u00e0 nova lei, embora ningu\u00e9m tenha sido flagrado em delito. Formou-se uma esp\u00e9cie de sociedade secreta em que todos, mulheres, jovens, camponeses, gr\u00e3os-mestres, participavam, e todos sabiam que todos os moradores da Dalm\u00e1cia participavam a exce\u00e7\u00e3o d\u2019O Ignorante, em cujos subterr\u00e2neos se jogava o xadrez tal como D\u00e1rio, O Grande, o havia trazido da Mong\u00f3lia. Mesmo o alto clero pessoal d\u2019O Ignorante participava de t\u00e3o consp\u00edcua m\u00e1fia, sob as narinas do governador, sem nunca serem notados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esta altura, conspira\u00e7\u00f5es de corte surgiam que visavam a queda de Pl\u00ednio II. Diariamente, sess\u00f5es solenes de rolagem de dados, restritas mesmo ao imperador, eram concorridas para que, entregues ao Absurdo, ao Nada, ao Total, os zaratustrianos fossem iluminados sobre o que fazer diante de tais ditames. A Pl\u00ednio j\u00e1 n\u00e3o cheirava bem o exclusivismo do uso dos sacros poliedros, uma das coisas que o levou a fazer o que se segue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houvera tido not\u00edcia de que os ge\u00f4metras do visinho reino de Ukbar* haviam conseguido a imposs\u00edvel proeza geom\u00e9trica de, alongando o tabuleiro de xadrez de um quadrado para um ret\u00e2ngulo \u00e1ureo, alongarem suas casas para a forma de tri\u00e2ngulos is\u00f3sceles, passando a jogarem o famigerado jogo nesta forma. As pedras se descolavam de pico a pico de cada tri\u00e2ngulo, conforme antes deslocavam-se de quadrinho a quadrinho. Curiosamente, o mesmo n\u00e3o conseguia ser feito num tabuleiro de damas, muito embora a forma de ambos fosse a mesma, e um tabuleiro de damas pudesse facilmente ser usado para o jogo de xadrez. Pl\u00ednio, que havia, por motivos id\u00eanticos \u00e0s outras proibi\u00e7\u00f5es citadas, debelado o estudo da geometria e suas ci\u00eancias irm\u00e3s (Astronomia, Matem\u00e1tica, Astrologia), mesmo assim importou, a altos custos estatais, o novo jogo das terras da Orbis Tertius. Incorporou a ele, ainda, o jogo de dados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O esc\u00e2ndalo n\u00e3o poderia ser maior: como impor revelador randomismo \u00e0 pura matem\u00e1tica est\u00e9tica das torres semoventes, dos cavalos bailarinos, dos humildes oito-pe\u00f5es? Vitup\u00e9rio maior era usar o or\u00e1culo para mero divertimento**. Mais tarde soube-se que a afronta de Pl\u00ednio n\u00e3o chegou a tais altitudes. Em verdade, Pl\u00ednio cria que o novo jogo podia servir, a um s\u00f3 tempo, de or\u00e1culo e entretenimento l\u00f3gico \u2013 \u00f3bvio paradoxo! Pretendia ele invadir a Tr\u00e1cia Transcarp\u00e1tica, e o tabuleiro, com seus triangulares picos, era o mapa fadesco e destinat\u00e1rio dos acontecimentos vindouros. N\u00e3o era Pl\u00ednio II letrado nas artes m\u00edsticas das leituras de or\u00e1culos, mas, ao modo dos gregos (embora n\u00e3o soubesse disso, ou mesmo que os gregos assim agiam), pensava que, tanto menos se soubesse do uso dos or\u00e1culos, melhor eles funcionavam. Movia as pe\u00e7as apenas quando e como os dados rolados permitiam, e assim ia sabendo e planejando sua tresloucada invas\u00e3o d\u2019al\u00e9m C\u00e1rpatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi precisamente nesta invas\u00e3o, malgrado dele mal sucedida, que Pl\u00ednio desapareceu, soterrado por uma avalanche de pedras marm\u00f3reas polidas, circulares e chatas \u2013 contaram-se, na \u00e9poca, dezesseis ao todo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Nota do Tradutor: *At\u00e9 o presente momento, nenhum texto historiogr\u00e1fico apresentou sequer long\u00ednquos relatos sobre a civiliza\u00e7\u00e3o de Ukbar, contudo tenha aparecido, numa edi\u00e7\u00e3o do in\u00edcio do s\u00e9culo XX da Encyclopaedia Brit\u00e2nica, uma p\u00e1gina avulsa a respeito. Esta pagina aparecia apenas em alguns exemplares dela, no volume 22, mas n\u00e3o em todos, podendo ser uma fraude. Relatos h\u00e1 que textos sagrados da Rosa-Cruz tratariam do desaparecimento de tal povo, conjuntamente com o afundamento da Atl\u00e2ntida \u2013 apesar de Plat\u00e3o, na sua Atl\u00e2ntida, sequer mencionar Ukbar. Caso o presente relato seja confirmado como verdadeiro, ind\u00edcios s\u00e9rios para o fim da controv\u00e9rsia come\u00e7am a ser cunhados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">**O jogo de Pl\u00ednio II, O Ignorante da Dalm\u00e1cia, assemelha-se ao nosso atual gam\u00e3o \u2013 o leitor deve ter notado que as regras e o <em>modus jogandi<\/em>, se se difere um pouco do atual jogo, \u00e9 pelo menos t\u00e3o inintelig\u00edvel quanto. Evidentemente, entre os idos prov\u00e1veis de 500 a. C. e os dias de hoje, o gam\u00e3o n\u00e3o havia aparecido at\u00e9 fins do s\u00e9culo XVII. Contudo, com a narrativa de Crasso Lucano, a hist\u00f3ria da jogatina poder\u00e1 ser profundamente alterada, e fic\u00e7\u00e3o h\u00e1 necess\u00e1ria a ser escrita para dar conta do sumi\u00e7o do jogo ao longo de tantos e t\u00e3o diversos tempos, bem como de seu repentino reaparecimento.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Particularmente, a linguagem seca, direta e diretiva do latim tirou um pouco o sabor da hist\u00f3ria, embora lhe d\u00ea saber. O materialismo romano tenta dar veracidade ao contado, por\u00e9m, neste caso, dados os epis\u00f3dios virtualmente improv\u00e1veis, mais lhes confere inexist\u00eancia. Bom seria que os pr\u00f3prios persas houvessem se dedicado \u00e0 arte da narrativa, e n\u00e3o meramente ao c\u00e1lculo burocr\u00e1tico, que \u00e9 arte menor, pois ter\u00edamos um gosto mais ficcional, caso a hist\u00f3ria se provasse ver\u00eddica, ou melhor no\u00e7\u00e3o de sua absurda conjectura, caso n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman'; font-size: x-small;\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiro conto meu publicado, quando levou men\u00e7\u00e3o honrosa ainda em 2006 pela Editora Guemanisse. 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