{"id":3102,"date":"2011-04-09T18:06:10","date_gmt":"2011-04-09T21:06:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3102"},"modified":"2025-12-24T13:02:55","modified_gmt":"2025-12-24T16:02:55","slug":"artefatos-vitorianos-para-uso-das-cidades-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3102","title":{"rendered":"Artefatos Vitorianos para Uso das Cidades \u2013 III"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>O cavalo mec\u00e2nico e o rinoceronte motorizado<\/em><\/strong>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em boa medida, a est\u00e9tica da B\u00e9lle Ep\u00f3que consiste em imitar industrialmente a natureza, substituindo-a parcialmente sem elimin\u00e1-la. \u00c9 neste sentido que Samuel Beckett viria a dizer que Marcel Proust \u00e9 um \u201cNaturalista radical\u201d: ao inv\u00e9s de animalizar seus personagens, os reduz a uma condi\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica ainda inferior \u2013 a realidade bot\u00e2nica de vegetais e fungos. Gostar\u00edamos no entanto de subverter Beckett, e dizer que Proust \u00e9 o apogeu solit\u00e1rio de um estilo que n\u00e3o ocorreu na literatura alhures \u2013 a Art-Nouveau, rigorosamente arquitet\u00f4nica \u2013 que concentra em si todas as outras emula\u00e7\u00f5es da natureza no fim do s\u00e9culo XIX: o Naturalismo e sua animaliza\u00e7\u00e3o; o sensualismo odor\u00edfero do Decadentismo; a sonoridade m\u00edstica do Simbolismo. N\u00e3o por acaso o urbanismo Art-Nouveau acabou recebendo o apelido de Ecletista.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se j\u00e1 mostramos antes como a <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2896\">tecnologia vitoriana imitou e tornou port\u00e1til a vegeta\u00e7\u00e3o<\/a>,\u00a0 veremos agora como ela trata de substituir os animais que, em quantidade, atrapalham a exist\u00eancia das metr\u00f3poles. Note-se que <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2896\" target=\"_blank\">a populariza\u00e7\u00e3o da sombrinha n\u00e3o adveio da diminui\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores em centros urbanos<\/a> \u2013 ao contrario, ela \u00e9 coet\u00e2nea da reconstru\u00e7\u00e3o da Floresta da Tijuca no Rio de Janeiro e da funda\u00e7\u00e3o do Bois de Boulogne em Paris.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a rel=\"attachment wp-att-3103\" href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?attachment_id=3103\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3103\" title=\"bicicleta-cavalo\" src=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/bicicleta-cavalo.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"474\" srcset=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/bicicleta-cavalo.jpg 600w, https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/bicicleta-cavalo-300x237.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a bicicleta e os autom\u00f3veis, coletivos e individuais, a explos\u00e3o \u00e9 diferente: sua presen\u00e7a n\u00e3o apenas diminui a necessidade de tra\u00e7\u00e3o eq\u00fcina e bovina, como \u00e9 incitada justamente para isto.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anteriormente \u00e0 mec\u00e2nica das rodas autopropulsoras, as cidades eram basicamente movidas a cavalo. O sujeito ia de um bairro a outro montado no seu pangar\u00e9 ou alaz\u00e3o, conforme a classe social; as resid\u00eancias requeriam que se dispusesse de est\u00e1bulos para guardar carro\u00e7as, carruagens, e alimentar suas m\u00e1quinas biol\u00f3gicas (o que faziam com que se morasse em ch\u00e1caras arrabaldes, sendo os centros antigos das capitais atuais, com raras exce\u00e7\u00f5es \u2013 Salvador sendo uma delas \u2013 lugares de com\u00e9rcio e de burocracia apenas); as pra\u00e7as precisavam ser dotadas de tocos para se prender a alim\u00e1ria (de todo similares a biciclet\u00e1rios, e n\u00e3o por acaso) e de coxos para refrescarem-se.\u00a0 E, com ruas estreitas, a urbe tendia a ficar empesteada de estrume \u2013 com seus conseq\u00fcentes alagamentos e epidemias \u2013 e do fedor do pelo suado e muitas vezes molhado dos quadr\u00fapedes.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a reforma hausmaniana implicava em alargar as ruas, implicava tamb\u00e9m que elas n\u00e3o fossem mal-ocupadas ao ponto de mesmo largas terem a sensa\u00e7\u00e3o de estreiteza: nelas deveria caber gente, transporte coletivo, e \u00e1rvores; al\u00e9m do que implicava em tamb\u00e9m haver \u00e1reas de uso comum: desde pra\u00e7as aos quintais\u00a0e p\u00e1tios internos\u00a0dos pr\u00e9dios de apartamento \u2013 as lavanderias coletivas\u00a0substituindo os\u00a0estabulos. E a prepara\u00e7\u00e3o das cosm\u00f3poles europ\u00e9ias para o 1900 implicava em tamb\u00e9m torn\u00e1-las densas. Ademais, o fim do trabalho escravo e servil tornava impeditivo as horas gastas a cuidar de um meio de transporte (as carruagens) que se usava, ao cabo, t\u00e3o pouco \u2013 o que leva a surge o fiacre de pra\u00e7a, antecessor do taxi. O cavalo, ao menos o de uso individual e privado, tinha seus dias contado.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A substitui\u00e7\u00e3o se deu por dois vetores. O primeiro deles \u00e9 dar uma fun\u00e7\u00e3o coletiva ao poluente motor de tra\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica sobre quatro patas: os primeiros \u00f4nibus e bondes s\u00e3o de tra\u00e7\u00e3o eq\u00fcina e muar (como Machado de Assis nos retrata em bela e delirante passagem do jovem Bentinho Santiago em Dom Casmurro). O outro, um pouco mais tardio, era de que se pudesse dispor de cavalos cuja aquisi\u00e7\u00e3o fosse barata, a durabilidade imprevistamente longa, a manuten\u00e7\u00e3o quase inexistente, e o tamanho reduzidamente menor, e que n\u00e3o dependesse de beber \u00e1gua e expelir estrumes: populariza-se a bicicleta. Quando esta nasceu, como um brinquedo versalhiano rococ\u00f3 (<a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2896\" target=\"_blank\">nisso n\u00e3o difere das sombrinhas e chap\u00e9us, que ent\u00e3o eram ornamento, mas ganhar\u00e3o funcionalidade com o advento da metr\u00f3pole industrial<\/a>) e sem pedais, era um \u201ccavalo aut\u00f4mato\u201d; a introdu\u00e7\u00e3o da catraca, e sua constru\u00e7\u00e3o em metal fundido e n\u00e3o mais em madeira, lhe deu uma viabilidade industrial exponencialmente maior. A cavalgadura de ra\u00e7a era o transporte urbano do jovem burgu\u00eas dos anos de 1830, tal qual a bicicleta o seria do proletariado dos anos de 1890.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>* * *<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autom\u00f3vel e seu motor a explos\u00e3o j\u00e1 s\u00e3o uma inven\u00e7\u00e3o mais sutil em sua imita\u00e7\u00e3o da natureza \u2013 ou, para dizer melhor, uma inven\u00e7\u00e3o sem a mesma delicadeza que as bicicletas e os bondes (que se tornariam el\u00e9tricos ou de tra\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica continua posteriormente \u2013 e tamb\u00e9m nisso s\u00e3o irm\u00e3os da bicicleta, inclusive por sua capacidade de conv\u00edvio com outras formas de transporte e de pacificar as vias).\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora herdeiro direto das carruagens e carro\u00e7as muares, o autom\u00f3vel acaba por ter mais identidade com o carro-de-boi agr\u00e1rio: uma pot\u00eancia de for\u00e7a descomunal, que raras vezes se realiza de fato, aliada a uma dificuldade peculiar de manejo, aumento de riscos e produ\u00e7\u00e3o de barulho. Coisa raras vezes notada \u00e9 que o \u00f4nibus puxado por cavalos causava menos acidentes do que o a motor porque havia tr\u00eas animais, e n\u00e3o apenas o motorista, atentos a pista: os cavalos, bem treinados e com olhar dirigido pelo gui\u00e3o de olhos, reagiam a despeito do condutor se houvesse pedestres na via ou mesmo buracos ou outros incidentes. Os bois de parelha n\u00e3o reagem assim (e podem facilmente desembestar), tanto que n\u00e3o basta uma parelha: \u00e9 necess\u00e1rio a de camb\u00e3o para puxar, e a de coice para frear. Soltos dos arreios, os bois de carro continuam a andar em dupla (como os bois de engenho nunca deixam de andar em c\u00edrculo), diferente dos cavalos e jumentos que s\u00e3o capazes de governar seu pr\u00f3prio comportamento apesar de treinados, e mesmo por causa disso \u2013 no que se assemelham a c\u00e3es (sendo animais plenamente dom\u00e9sticos, enquanto cabras e bovinos s\u00e3o animais semi-dom\u00e9sticos).\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste sentido, o autom\u00f3vel n\u00e3o promove, no seu surgimento, uma cidade mais limpa e segura com a redu\u00e7\u00e3o e aperfei\u00e7oamento do uso de animais; ao contrario, como um ente selv\u00e1tico e de barb\u00e1rie em meio a civiliza\u00e7\u00e3o, tende a causar-lhe rebote. Trata-se de um rinoceronte motorizado \u2013 sobre o qual o homem tem menos, e n\u00e3o mais, controle, diferentemente da bicicleta que acaba sendo a realiza\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica do mito do sagit\u00e1rio.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>* * *<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A transfer\u00eancia parcial da propuls\u00e3o animal para a propuls\u00e3o humana que a industrializa\u00e7\u00e3o nos permitiu, tanto com o advento da bicicleta quanto do acirramento e qualifica\u00e7\u00e3o do uso pedestre das cidades, implica em novos dispositivos infraestruturais axiais. Onde antes o coxo de \u00e1gua para a alim\u00e1ria, \u00e9 o cidad\u00e3o humano que passa a ter sede e t\u00eamporas afogueadas \u2013 <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2896\" target=\"_blank\">por um lado resolvido por leques e len\u00e7os<\/a>, por outro com o advento do fornecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel e corrente por tubula\u00e7\u00e3o tanto privadamente, com os toucadores, quanto publicamente, com as fontes de pra\u00e7a.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade que po\u00e7os, bicas e chafarizes existem desde que, com a Renascen\u00e7a, o burgo medieval europeu incorporou as t\u00e9cnicas hindu-ar\u00e1bicas de conv\u00edvio comercial. Sua fun\u00e7\u00e3o era, no entanto, diferente: recolha de \u00e1gua para o domic\u00edlio em baldes, e uso comum entre animais e homens. Havia alguma fun\u00e7\u00e3o decorativa, em geral como front\u00f5es algo eclesi\u00e1sticos dispostos em paredes e escarpas. Tamb\u00e9m em sacristias havia pias com torneiras e em conventos os pequenos chafarizes de jardim. E no Antigo Regime, quase todos os nobres dispunham de pia e jarra para seu lavabo matinal.\u00a0<\/p>\n<div class=\"mceTemp mceIEcenter\">\n<div id=\"attachment_3107\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a rel=\"attachment wp-att-3107\" href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?attachment_id=3107\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3107\" class=\"size-medium wp-image-3107\" title=\"San_Francisco_Yerba_Buena_Gardens_003\" src=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/San_Francisco_Yerba_Buena_Gardens_003-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/San_Francisco_Yerba_Buena_Gardens_003-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/San_Francisco_Yerba_Buena_Gardens_003-1024x768.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3107\" class=\"wp-caption-text\">Fonte modernista, Jardins Suspensos de Yerba Buena, San Francisco, California<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Ocorre que no s\u00e9culo XIX estes dispositivos se ampliam e universalizam. Um convidado inesperado chega em casa e ainda no \u00e1trio de ante-sala (a divis\u00e3o do domic\u00edlio em c\u00f4modos sociais e de servi\u00e7o tamb\u00e9m \u00e9 uma aquisi\u00e7\u00e3o hausmaniana) lhe \u00e9 oferecido toalha e \u00e1gua de lavanda paras as t\u00eamporas e m\u00e3os \u2013 isso ainda na era do uso individual do cavalo. Surgem com o encanamento hidr\u00e1ulico (coet\u00e2neo da ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica a g\u00e1s) os pequenos toaletes sem banheira ou chuveiro em corredores de casas, dispondo apenas de mict\u00f3rios, sentinas e pia com torneira. Os chafarizes ganham pra\u00e7as p\u00fablicas em dimens\u00f5es monumentais, servindo como forma de garantir estabilidade microclim\u00e1tica externa (tal como os persas faziam internamente a seus pr\u00e9dios), mas tamb\u00e9m para qualquer um refrescar rosto, colo, pesco\u00e7o, p\u00e9s e m\u00e3os ao longo de uma caminhada num centro urbano. Aparecem os primeiros bebedouros p\u00fablicos e, correlatos distantes, as instancias de f\u00e9rias termais e hidrominerais, e os banhos de mar.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>* * *<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cavalo-mec\u00e2nico e o rinoceronte-motorizado (tanto quanto o bonde, o metr\u00f4, o trem, o navio a vapor e o avi\u00e3o) s\u00e3o filhos da mesma Idade Industrial, com causas id\u00eanticas tendo por\u00e9m efeitos d\u00edspares e opostos. Paira um certo idealismo atual de que um dia a sociedade do autom\u00f3vel ser\u00e1 superada por uma sociedade da bicicleta. Tenho minhas d\u00favidas: trata-se muito mais de caminhos que se bifurcaram l\u00e1 atr\u00e1s (em uma, a pot\u00eancia civilizat\u00f3ria do homem aumenta; em outra, ela \u00e9 subjulgada pela barb\u00e1rie da m\u00e1quina e da natureza bruta) \u2013 e qualquer retifica\u00e7\u00e3o de um para seguir o outro implicar\u00e1 numa marcha-a-r\u00e9 moment\u00e2nea, muito mais prov\u00e1vel e urgente \u00e9 verdade na via congestionada de carros-de-boi fumacentos do que na outra em que potros-centauros galopam ludicamente uns com os outros.\u00a0<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cavalo mec\u00e2nico e o rinoceronte motorizado\u00a0 Em boa medida, a est\u00e9tica da B\u00e9lle Ep\u00f3que consiste em imitar industrialmente a natureza, substituindo-a parcialmente sem elimin\u00e1-la. \u00c9 neste sentido que Samuel Beckett viria a dizer que Marcel Proust \u00e9 um \u201cNaturalista radical\u201d: ao inv\u00e9s de animalizar seus personagens, os reduz a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[919],"tags":[710,1104,1483,889,1613,1084,946,1484,888,1614,1487,1615,1485],"class_list":["post-3102","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-01flanar","tag-art-nouveau","tag-automovel","tag-belle-epoque","tag-bicicleta","tag-carro","tag-carrodependencia","tag-cidades","tag-era-vitoriana","tag-mobilidade-urbana","tag-steam-punk","tag-steampunk","tag-vapor-punk","tag-vaporpunk"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3102","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3102"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3102\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3116,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3102\/revisions\/3116"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3102"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3102"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3102"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}