{"id":3078,"date":"2011-03-17T23:00:41","date_gmt":"2011-03-18T02:00:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3078"},"modified":"2025-12-24T13:02:55","modified_gmt":"2025-12-24T16:02:55","slug":"prazeres-na-osba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3078","title":{"rendered":"Prazeres na OSBA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a rel=\"attachment wp-att-3080\" href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?attachment_id=3080\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-3080\" title=\"CarlosPrazeres02\" src=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/CarlosPrazeres02.jpg\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"447\" srcset=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/CarlosPrazeres02.jpg 260w, https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/CarlosPrazeres02-174x300.jpg 174w\" sizes=\"auto, (max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><\/a>A op\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o do Teatro Castro Alves pelo nome do jovem (e belo!) carioca Maestro Carlos Prazeres para dirigir a Orquestra Sinf\u00f4nica da Bahia \u00e9, de modo nada \u00f3bvio, muito acertada em diversos sentidos. A primeira, e mais evidente, \u00e9 o fato de que, em duas d\u00e9cadas, Prazeres \u00e9 o primeiro maestro de forma\u00e7\u00e3o a dirigir a OSBA &#8211; Ricardo Castro, a quem inclusive o novo diretor da orquestra reconhece como excelente gestor, turning-point dessa isntitui\u00e7\u00e3o, era pianista; Eric Vasconcelos, fagotista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 mera quest\u00e3o de nomenclatura: administrador atento e \u00e1gil, Ricardo Castro no entanto nunca conseguiu conduzir a orquestra sen\u00e3o dentro da corre\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica &#8211; nada de interpreta\u00e7\u00f5es pessoais, ou di\u00e1logo mais \u00edntimo com cada naipe em momentos precisos. Isto acontecia, \u00e9 verdade, quando t\u00ednhamos maestros visitantes, e os tivemos muitos e bons vindos do estrangeiro, gra\u00e7as ao tr\u00e2nsito diplom\u00e1tico de Ricardo. Neste ponto a OSBA deve sofrer leve retrocesso: Carlos Prazeres transita melhor na esfera nacional, nem tem a capacidade de garimpar instrumentistas excelentes mais fora do mainstream como Ricardo teve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 com Carlos Prazeres a frente, quem esteve ontem no TCA notou interpreta\u00e7\u00f5es personal\u00edssimas, um tr\u00e2nsito invulgarmente penetrante em cada parte da orquestra e por vezes em cada m\u00fasico, com um maestro que parecia se desdobrar em 3 ou 4 em determinados instantes. Se a OSBA havia se tornado uma orquestra de repert\u00f3rio ligada ao Romantismo Tardio, havia nelas excessos de instrumenta\u00e7\u00e3o algo barrocos &#8211; excessos estes que s\u00f3 notei agora que Prazeres os come\u00e7ou a limpar: um Wagner sem solenidade, dan\u00e7ante mas sem resvalar no c\u00f4mico convencional dos Mestres Cantores de Nuremberg; um Tchaicovsky bem menos ligado a sinfonia tradicional do s\u00e9culo XIX &#8211; antes, apontando para uma sinfonia feita mais de notas \u00edntimas, um <em>roman-a-clef<\/em> mais do que a grande narrativa oitocentista &#8211; um Tchaicovisky, enfim, inesperadamente mais pr\u00f3ximo de Prokofiev e Rachmaninoff &#8211; e, por que n\u00e3o?, Bela Bartok &#8211; do que de Brahms ou Schubert.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faria, mas n\u00e3o fa\u00e7o, um sen\u00e3o para a escolha de uma pe\u00e7a contempor\u00e2nea inglesa, claramente dodecaf\u00f4nica e que por pouco n\u00e3o foi um corte a fac\u00e3o no repert\u00f3rio de transi\u00e7\u00e3o do Romantismo para o Modernismo. Faria a ressalva porque pessoalmente tenho dificuldade com dodecafonismo; n\u00e3o a fa\u00e7o porque, primeiro, a pe\u00e7a passa largos momentos de minimalismo atonal, bem mais aud\u00edvel; e por outro porque reconhe\u00e7o nisso uma necessidade: a Bahia, p\u00e1tria por op\u00e7\u00e3o de Walter Smetak e Ernest Widmer, precisa reencontrar-se com a m\u00fasica p\u00f3s-moderna. Ao fazer esta op\u00e7\u00e3o, Carlos Prazeres n\u00e3o est\u00e1 sendo colonialista, antes o contr\u00e1rio, o que condiz com sua inten\u00e7\u00e3o de modificar o t\u00edtulo das s\u00e9ries da Sinf\u00f4nica da Bahia em homenagem a intelectuais modernistas nossos: Caryb\u00e9, Verger, Genaro de Carvalo, Milton Santos, etc. Aproveito para dar aqui minha sugest\u00e3o de que a Mozart Nas Igrejas se chame &#8220;Vieirianas&#8221;, uma vez que \u00e9 sempre executada em igrejas em que o imperador da l\u00edngua Padre Ant\u00f4nio Vieira, que aqui aprendeu a ler e escrever, proferiu seus mais belos serm\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o vem assim o carioca com intuito de &#8220;civilizar&#8221; a Bahia, sen\u00e3o de resgatar a civilidade que o pr\u00f3prio estado construiu para o resto do pa\u00eds &#8211; inclusive musicalmente, com Dorival Caimmy e Batatinha &#8211; antes de ser assolado pelo carlo-axezismo. Nisso, cabe lembrar que <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2837\" target=\"_blank\">orquestras s\u00e3o meton\u00edmias de governo<\/a>: n\u00e3o \u00e9 uma coincid\u00eancia que o regente e o governador sejam cariocas que adotaram a Bahia por escolha\u00a0sem fazer dela col\u00f4nia. A OSBA caminha para ser, na esquerda, o que a <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2693\" target=\"_blank\">OSESP de Neschling foi na direita (com a diferen\u00e7a que l\u00e1 se escolheu um franc\u00eas boc\u00f3 que desfez o trabalho do gestor anterior&#8230;)<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>* * *<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Menos \u00f3bvio \u00e9 o fato de Carlos Prazeres vir da Orquestra Petrobr\u00e1s Sinf\u00f4nica (OPES), onde ainda segue trabalhando paralelamente a sua titularidade na OSBA. De h\u00e1 muito que a OSBA e o Neojib\u00e1 flertam com a OPES, e vice-versa. Os modelos est\u00e9ticos s\u00e3o parecidos: se aqui h\u00e1 a s\u00e9rie Mozart Nas Igrejas, no Rio de Janeiro a Petrobr\u00e1s Sinf\u00f4nica faz a s\u00e9rie Mestre Valentim em diversas igrejas hist\u00f3ricas de l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A OPES no entanto deu passos adiante: n\u00e3o apenas permite, como sugere e incentiva que quem for assisti-la grave tudo e coloque no YouTube, e tem um twitter deliciosamente atuante. Os passos adiantes n\u00e3o s\u00e3o apenas est\u00e9ticos: talvez tenha sido a Sinf\u00f4nica nacional que melhor resolveu o dilema &#8220;orquestra de funcion\u00e1rios p\u00fablicos&#8221; X &#8220;orquestra com din\u00e2mica de ind\u00fastria fonogr\u00e1fica&#8221;, mantendo bons sal\u00e1rios, um corpo de m\u00fasicos mais do que suficiente, novas sele\u00e7\u00f5es e contrata\u00e7\u00f5es frequentes. Trazer esta experi\u00eancia \u00e9 um bom caminho para resolver <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2917\" target=\"_blank\">os impasses que Ricardo Castro n\u00e3o pode atravessar<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 porque a dinamiza\u00e7\u00e3o do Neojib\u00e1 com uma certa estagna\u00e7\u00e3o institucional da OSBA poderia resvalar no que <a href=\"http:\/\/andreegg.opsblog.org\/2011\/03\/11\/ultimas-4\/\" target=\"_blank\">Andr\u00e9 Egg chama de &#8220;priorizar sinf\u00f4nicas j\u00f3vens como forma de precarizar as rela\u00e7\u00f5es trabalhistas nas sinf\u00f4nicas de corpo est\u00e1vel&#8221;<\/a>. N\u00e3o era o caso, na Bahia, at\u00e9 agora &#8211; mas tendo dois diretores distintos, mas em di\u00e1logo, este risco se torna menor ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>* * *<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, uma qualidade que poderia ser apontada como defeito: \u00e9 a primeira orquestra que Carlos Prazeres dirige como titular. Longe de ser inexperi\u00eancia (algu\u00e9m que \u00e9 filho do cara que criou a OPES, e trabalhou com Isaac Karabtchevisky em mais de uma sinf\u00f4nica do pa\u00eds, est\u00e1 longe de ser um novi\u00e7o), \u00e9 uma d\u00e1diva para ambos: a OSBA tem a chance de ser a &#8220;primeira esposa&#8221; de um dedicado diretor e regente, e este tem nas m\u00e3os um grupo de m\u00fasicos invej\u00e1vel, que desenvolvem projetos paralelos reconhecidamente excelentes (a Orkestra Rumpilezz, a carreira de Joatan Nascimento no choro-jazz, o Dois Em Um, etc.), e numa terra que tem pululado de orquestras (a Afro-Sinf\u00f4nica, a Sambone Pagode Orquestra) e m\u00fasica instrumental (TenTrio, Vendo147 e Retrofoguetes falam por si). A chance de ser um casamento infeliz, ou com pouco tes\u00e3o, ou curto, \u00e9 remota.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso ficou claro tamb\u00e9m ontem: um TCA mais cheio do que de costume para uma quarta-feira a noite, in\u00edcio de temporada, depois do carnaval, aplaudindo de p\u00e9 uma OSBA claramente satisfeita e um Maestro Prazeres que n\u00e3o fazia quest\u00e3o de esconder o qu\u00e3o agradecido estava.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A op\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o do Teatro Castro Alves pelo nome do jovem (e belo!) carioca Maestro Carlos Prazeres para dirigir a Orquestra Sinf\u00f4nica da Bahia \u00e9, de modo nada \u00f3bvio, muito acertada em diversos sentidos. 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