{"id":3062,"date":"2011-03-13T22:52:06","date_gmt":"2011-03-14T01:52:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3062"},"modified":"2025-12-24T13:02:55","modified_gmt":"2025-12-24T16:02:55","slug":"as-licoes-do-mardi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=3062","title":{"rendered":"As Li\u00e7\u00f5es do Mardi"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Para <a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.jsp?id=K4799440D7\" target=\"_blank\">Paulo Miguez<\/a>, que, segundo consta, tamb\u00e9m estava na Big Easy<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Para <a href=\"http:\/\/idelberavelar.com\/\" target=\"_blank\">Idelber Avelar<\/a>, <a href=\"http:\/\/tramavirtual.uol.com.br\/manuela_rodrigues\" target=\"_blank\">Manuela Rodrigues<\/a>, <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em> <\/em><em>e outros tantos brasileiros que escolheram a Cidade Crescente para morar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a rel=\"attachment wp-att-3063\" href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?attachment_id=3063\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-3063\" title=\"mardi\" src=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/mardi-300x268.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"268\" srcset=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/mardi-300x268.jpg 300w, https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/mardi.jpg 811w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Axioma: <\/strong>A Luisiana \u00e9 a Bahia que fala ingl\u00eas (inclusive seu sotaque \u00e9 o bahian\u00eas americano).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Corol\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) Quando Milton Santos nos diz que &#8220;o Rec\u00f4ncavo \u00e9 o umbigo do mundo&#8221;, ele se refere a um mundo em espec\u00edfico &#8211; o Extremo Ocidente (este lugar inventado pelos escravos negros, que viram a crueldade bem de frente, ainda produziram milagres de f\u00e9). Outra forma de dizer: trata-se da Am\u00e9rica Luso-Francesa, uma vez que a Am\u00e9rica Espanhola n\u00e3o usou de escravid\u00e3o africana (com exce\u00e7\u00e3o, comprovat\u00f3ria em rela\u00e7\u00e3o a esta regra, de Cuba) &#8211; aquela que vai do Uruguai (ex-Prov\u00edncia Portuguesa da Cisplatina) at\u00e9 o estado norte-americano de Georgia;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) Por algum tempo eu disse que a <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2227\" target=\"_blank\">Reforma Cultural Bahiana tinha por obriga\u00e7\u00e3o incitar S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o a sair do isolamento<\/a> &#8211; tal qual Pernambuco fez conosco nos duros anos da tirania do carlo-axezismo. Errei, por timidez quantitativa: \u00e9 preciso abra\u00e7ar o carnaval de Camdonbe de Montevideo, as Antilhas, e chegar at\u00e9 Nova Orle\u00e3s &#8211; esta esp\u00e9cie de Olinda plana, no sentido em que<a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2570\" target=\"_blank\"> Olinda \u00e9 o elo perdido entre Recife e Salvador<\/a>;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) New Orleans \u00e9 uma cidade pobre, que foi destruida por uma cat\u00e1strofe h\u00e1 cinco anos. E est\u00e1 de p\u00e9! Claro que h\u00e1 ainda pr\u00e9dios abandonados, fedor, e certa desorganiza\u00e7\u00e3o. Sua recupera\u00e7\u00e3o se deve a um fato: a popula\u00e7\u00e3o se recusou a posar de v\u00edtima das circunst\u00e2ncias. Isso \u00e9 vis\u00edvel no Museu do Katrina, mas no modo de dizer do dia a dia da popula\u00e7\u00e3o, nos albuns de foto encontrados autografados e com ep\u00edgrafes em diversos bares e lanchonetes de seu Centro Antigo. \u00c9 a\u00ed que reside a diferen\u00e7a para com Salvador, em que o <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2966\" target=\"_blank\">sub-marxismo de senzala, altamente patrimonialista, ainda impera<\/a>;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4) Isso vale inclusive no sentido da mobilidade urbana. A de New Orleans, apesar dos bondes (lent\u00edssimos e pouco frequentes, se comparamos com os de San Francisco), sempre foi ruim. Com o desastre, piorou. Mas o uso de bicicleta sempre foi ub\u00edquo, frequente, normalizado (diferente do de San Francisco, que foi construido digamos artificialmente nas \u00faltimas d\u00e9cadas, como uma identidade fashion de certa classe m\u00e9dia saudosa dos Hippies e do Movimento Gay). Falo inclusive de bicicletas pebas cargueiras dom\u00e9sticas &#8211; mesmo durante o Carnaval. Depois do desastre, se alastrou; a prefeitura abra\u00e7ou a causa (embora com poucas ciclovias, mas com muito compartilhamento demarcado), inclusive incentiva a quem visita a cidade a usar bicicleta. E confesso: senti falta de faz\u00ea-lo, embora seja uma del\u00edcia de andar;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5) N\u00e3o se pense que a industrializa\u00e7\u00e3o gentrifica\u00e7\u00e3o e motoriza\u00e7\u00e3o do Carnaval \u00e9 problema apenas de Salvador. O Carnaval de brass-bands de rua em New Orleans n\u00e3o existe mais no French Quartier &#8211; \u00e9 preciso ir at\u00e9 o Faubourg Marigny para acompanhar alguns. Pro lado do Garden, s\u00e3o blocos car\u00edssimos, com carros aleg\u00f3ricos, hora marcada, pol\u00edcia a disposi\u00e7\u00e3o, e segrega\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o p\u00fablico n\u00e3o com cordas, mas com grades. Qualquer semelhan\u00e7a com abad\u00e1s e camarote n\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia. Inclusive a <a href=\"http:\/\/www.nola.com\/crime\/index.ssf\/2011\/03\/new_orleans_police_clash_with.html\" target=\"_blank\">pol\u00edcia eventualmente persegue e pune quem faz bloco de rua, misturado, com jazz-walking-bands<\/a> &#8211; mesmo em um dos quais participei;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6) A diferen\u00e7a \u00e9 uma vantagem nossa: nenhuma cidade carnavalesca (&#8220;ef\u00eamera&#8221;) no mundo tomou tanta consci\u00eancia da problem\u00e1tica do embate entre carnaval artesanal X industrial e a privatiza\u00e7\u00e3o do direito a folia quanto Salvador. Por ter sido a mais afetada por isso? Talvez. Fato \u00e9 que Recife tomou consci\u00eancia disso antes que acontecesse, e preveniu, mas por isso mesmo tem pouca massa cr\u00edtica a respeito. New Orleans, que n\u00e3o \u00e9 uma cidade norte-americana, mas tamb\u00e9m o \u00e9, n\u00e3o se d\u00e1 conta disso &#8211; salvo claro certa esquerda modernosa do Marigny e ByWaters, que ainda mantem os blocos de rua participativos, n\u00e3o obstante enormes e deliciosos. L\u00e1, pela pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o de estado desnecess\u00e1rio da na\u00e7\u00e3o, n\u00e3o passa pela cabe\u00e7a de ningu\u00e9m que a Governan\u00e7a do Carnaval deve ser p\u00fablica e estatal, fora do espontane\u00edsmo ou de entidades privadas (no caso deles, filantr\u00f3picas e beneficientes mas nem por isso menos capitalistas do que as nossas, especulativas). Aqui na Bahia, creio que isso seja consenso: nem o Baronato do Ax\u00e9-System tolera mais tanta firula de trio-el\u00e9trico em frente a camarote, atravancando tudo, como ficou claro em diversos epis\u00f3dios do Carnaval baiano em 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" width=\"480\" height=\"390\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/KeFWimbvTh8\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para Paulo Miguez, que, segundo consta, tamb\u00e9m estava na Big Easy Para Idelber Avelar, Manuela Rodrigues, e outros tantos brasileiros que escolheram a Cidade Crescente para morar Axioma: A Luisiana \u00e9 a Bahia que fala ingl\u00eas (inclusive seu sotaque \u00e9 o bahian\u00eas americano). 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