{"id":2406,"date":"2010-05-23T14:42:45","date_gmt":"2010-05-23T17:42:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2406"},"modified":"2025-12-24T13:02:57","modified_gmt":"2025-12-24T16:02:57","slug":"uma-luz-em-meio-a-caetanices","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2406","title":{"rendered":"Uma Luz em meio a Caetanices"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O leitor que assina por Fl\u00e1vio Alves, da Bahia, mandou um coment\u00e1rio extenso e intensivo sobre <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2377\" target=\"_blank\">nossas cr\u00edticas a postura insensata de Caetano Veloso<\/a>. Foi, at\u00e9 agora, o \u00fanico coment\u00e1rio em defesa do texto de Caetano que n\u00e3o caiu em caetanices poetizantes; ao contr\u00e1rio: l\u00f3gico, racionalista, e factual, foi direto a pontos cruciais de meu texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por ser longo, e tamb\u00e9m pela excel\u00eancia e porque pede que n\u00f3s respondamos a diversos pontos do coment\u00e1rio, n\u00e3o aprovei no post original. Vai portanto aqui, j\u00e1 n\u00e3o digo integral, mas o mais integralmente poss\u00edvel:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea fala em mentir e enganar, por\u00e9m ap\u00f3s a transcri\u00e7\u00e3o do primeiro par\u00e1grafo chega a uma conclus\u00e3o tosca. Pergunto: descontada a sua ironia, foi realmente de boa-f\u00e9 aquilo? ( \u201cOu seja: segundo Caetano, ACM foi o homem que conduziria, como conduziu, o Brasil e a Bahia ao para\u00edso da equidade e da civilidade.\u201d)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque \u00e9 obvio que apontar a\u00e7\u00f5es positivas, avan\u00e7os, n\u00e3o significa nada disso que voc\u00ea passou nessa sua \u201ctradu\u00e7\u00e3o\u201d. Caetano, por sinal, insistiu nesse ponto durante todo o texto: mesmo pol\u00edticos de p\u00e9ssima mem\u00f3ria s\u00e3o capazes de deixar legados importantes em algumas \u00e1reas e isso n\u00e3o deve ser desconsiderado.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, e reconhecemos isso. N\u00e3o obstante, colocamos o carlismo no mesmo balaio da experi\u00eancia do franquismo e do nazi-facismo alem\u00e3o. Isto \u00e9: um regime em que mesmo os acertos v\u00eam t\u00e3o eivados de erros que s\u00f3 podemos consider\u00e1-lo como retrocesso (no sentido em que Karl Marx mostra como o surgimento do regime feudal foi um retrocesso em rela\u00e7\u00e3o a Roma Imperial, tanto econ\u00f4micamente quanto social e politicamente).<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tenho algumas quest\u00f5es, enquanto leigo no assunto:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As duas tentativas de revitaliza\u00e7\u00e3o, por Lina Bo Bardi, foram realizadas, tamb\u00e9m, durante governo carlista? Se sim, qual \u00e9 ent\u00e3o o equ\u00edvoco de Caetano quando relembra as rea\u00e7\u00f5es negativas de Candice Bergen e D\u00e9cio Pignatari? Nesse par\u00e1grafo, ele fala apenas e justamente das cr\u00edticas que houve \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o de alguns sobrados e n\u00e3o das cr\u00edticas ao modo como, posteriormente, foram realizadas a desocupa\u00e7\u00e3o. Onde est\u00e1 a confus\u00e3o do autor do texto?<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">As reformas de Lina se deram uma no Governo Juracy Magalh\u00e3es &#8211; a quem ACM apoiava, e depois traiu em 1970; a outra na prefeitura de M\u00e1rio K\u00e9rtzs, no Governo Jo\u00e3o Durval &#8211; ambos carlistas de origem, no entanto naquele momento j\u00e1 rompidos com ACM, que tentava mediocrizar e inviabilizar o governo de ambos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cr\u00edticas de D\u00e9cio Pignatari n\u00e3o s\u00e3o a restaura\u00e7\u00e3o de alguns sobrados, mas a desocupa\u00e7\u00e3o do Centro Antigo. Ao se propor &#8220;reformar&#8221; o Pelourinho, ACM quer enxugar gelo e resolver um problema que ele mesmo criou ao inaugurar o CAB &#8211; e tentar resolver o problema acirrando-lhe as causas: tornando o Pel\u00f4 ainda mais desocupado e sem fun\u00e7\u00e3o org\u00e2ncia com a cidade ou o estado. A t\u00edtulo de criticar a reformar carlista, D\u00e9cio Pignatari se viu obrigado a elogiar a de Jayme Lerner para o Centro Hist\u00f3rico de Curitiba, a quem ele at\u00e9 ent\u00e3o criticava: Lerner n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o desocupou, como readensou com habita\u00e7\u00e3o o Centro Hist\u00f3rico de l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lerner tamb\u00e9m era PFLista. S\u00f3 que n\u00e3o era feudal, nem tinha tra\u00e7os de psicopatologia grave que levou um filho a morrer de infarto, uma filha ao suic\u00eddio, e um amigo a romper com ele porque teve seus alunos espancados em 2001. Observe que, ACM morrendo, n\u00e3o h\u00e1 um &#8220;legado de ACM&#8221;, ou se h\u00e1 ningu\u00e9m o quer defender &#8211; nem mesmo seu neto que carrega o peso de seu nome.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois: Quem fez a avenida ACM, a Lucaia, a Garibaldi\u2026? Esquecendo aqui o rigor no conceito de avenida \u201cde vale\u201d e considerando apenas o ponto principal: a capacidade dessas grandes vias de cortarem a cidade, abrindo espa\u00e7os. No livro Uma Hist\u00f3ria da Cidade da Bahia, Ant\u00f4nio Ris\u00e9rio afirma, ap\u00f3s atribuir a Mangabeira \u201co rompimento com a rotina de pequenas obras\u201d:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMas foi sob o comando de um pol\u00eamico ACM e de sua equipe, em administra\u00e7\u00f5es mais ou menos sucessivas, que a cidade mudou realmente de figura. Em 1967, come\u00e7aram a surgir as primeiras avenidas de vale (embora n\u00e3o possamos esquecer de que j\u00e1 havia sido feita a Centen\u00e1rio, como frisa Am\u00e9rico Simas Filho)\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Garibaldi foi no Governo Roberto Santos. O Lucaia segue a l\u00f3gica de expandir Salvador para fora de seu Plat\u00f4 Central e da Segunda Cadeia de Morros (Nazar\u00e9, Federa\u00e7\u00e3o e Brotas), de modo que dizer que n\u00e3o \u00e9 uma &#8220;avenida de vale&#8221; n\u00e3o \u00e9 mero esmero de nomenclatura. As avenidas de vale, como concebidas por M\u00e1rio Leal, visavam preservar o recorte hist\u00f3rico e a ocupa\u00e7\u00e3o da cidade-fortaleza sobre as montanhas. O Lucaia possibilita a ocupa\u00e7\u00e3o da restinga da Pituba de modo nada nada pedestre. Deu no que deu: Imbu\u00eds e no limite LeParcs&#8230;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim: Caetano mente, se engana, ou temos aqui, no m\u00ednimo, controv\u00e9rsias?<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ambas as coisas. S\u00f3 que se fossem meras controv\u00e9rsias (e para isso ele teria de ter, como voc\u00ea tem, consequ\u00eancia no discurso que profere e nas pr\u00e1ticas que exerce &#8211; e ele n\u00e3o tem nem nunca teve), a discuss\u00e3o seria mais rica e menos recheada de afetos. Inclusive de minha parte &#8211; eis a\u00ed uma quest\u00e3o de segunda-lei-de-Newton.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ressalte-se que no texto est\u00e1 claro que o projeto das avenidas de vale s\u00e3o de 42. E, tamb\u00e9m, que n\u00e3o \u00e9 preciso ser carlista (coisa que n\u00e3o sou, pelo contr\u00e1rio \u2013 assim como Caetano) pra apontar essas modifica\u00e7\u00f5es realizadas pelas administra\u00e7\u00f5es de ACM na cidade, as quais n\u00e3o foram apenas fruto do esp\u00edrito do pol\u00edtico em quest\u00e3o, mas tamb\u00e9m, em alguma medida, consequ\u00eancias naturais das necessidades e urg\u00eancias da cidade que crescia.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apontar as modifica\u00e7\u00f5es feitas por ACM n\u00e3o faz de ningu\u00e9m carlista ou anti-carlista. N\u00e3o perceber que estas modifica\u00e7\u00f5es foram avan\u00e7os apenas nas apar\u00eancias, representando enormes retrocessos do ponto de vista infra-estrutural, pode n\u00e3o ser carlista &#8211; mas seguramente n\u00e3o \u00e9 anti-carlista. Quanto a voc\u00ea, n\u00e3o sei. Mas Caetano n\u00e3o \u00e9 anti-carlista, nem deixa de ser: o exerc\u00edcio de des-opini\u00e3o, t\u00edpico dele, faz com que ele n\u00e3o seja nada, muito ao contr\u00e1rio, e tanto faz, ou n\u00e3o. Caetano \u00e9 uma gelatina l\u00f3gica! (No mesmo sentido que j\u00e1 dissemos aqui que Lula \u00e9 uma gelatina moral. Mas Lula governa e bem um Estado Nacional. Caetano n\u00e3o comp\u00f5e nada digno h\u00e1 tempos&#8230;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 consequ\u00eancia natural em urbanismo: a geografia \u00e9 uma ci\u00eancia pol\u00edtica &#8211; a afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 de Milton Santos, justamente ao estudar Salvador, e ACM interveio em Salvador ignorando solenemente a obra-prima do maior ge\u00f3grafo que a humanidade conheceu. Expans\u00e3o carroc\u00eantrica para fora de um centro expandido, esvaziando de fun\u00e7\u00f5es seu Centro Hist\u00f3rico, n\u00e3o \u00e9 &#8220;necessidade urgente&#8221; de nenhuma metr\u00f3pole &#8211; ao contr\u00e1rio: \u00e9 tudo de que uma cidade n\u00e3o precisa; e mais: precisa que jamais ocorra. E \u00e9 justamente o que unifica o &#8220;legado urbano de ACM&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale lembrar que o Carlismo nunca se manteve financeiramente atrav\u00e9s do latinf\u00fandio agr\u00e1rio, e sim da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. Esvaziar o Pel\u00f4, fazer o CAB e a Pituba, foram &#8220;necessidades urgentes&#8221; da economia interna de uma ditadura, e n\u00e3o da pr\u00e1tica de liberdade de uma cidade. Ao contr\u00e1rio: sustentou aquela ao custo de minar esta, como n\u00e3o poderia deixar de ser.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea afirma que hj os arredores do Pelourinho viraram cracol\u00e2ndia. Mas qual quadro t\u00ednhamos antes de qualquer medida de revitaliza\u00e7\u00e3o? Um patrim\u00f4nio da humanidade quase todo relegado a \u201czona\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2321\" target=\"_blank\">E qual quadro t\u00ednhamos quando o Governo do Estado ocupava, como em qualquer lugar do mundo, o Centro da Capital<\/a>?<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">As reformas tiveram seus graves equ\u00edvocos, no modo como foram executadas e no seu conceito, por\u00e9m houve um lado muito positivo, de colocar o Pelourinho como um espa\u00e7o nobre da cidade, que merece cuidado especial. Hoje, vemos que n\u00e3o h\u00e1 mais aquele fulgor dos anos 90, quando a reforma era novidade. Problemas de sustentabilidade foram escancarados. E muito em raz\u00e3o da falta de vitalidade da proposta de reforma que foi executada. Concordo: erro do carlismo; Caetano erra feio ao desconsiderar esse dado. Mas at\u00e9 que ponto trata-se apenas de consequ\u00eancias do erro original carlista?<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis a\u00ed um ponto leg\u00edtimo de defesa da reforma carlista do Pelourinho: fez com que o Brasil acreditasse que al\u00ed era uma \u00e1rea nobre, a se orgulhar. M\u00e9rito! Embora as consequ\u00eancias f\u00edsicas desta gentrifica\u00e7\u00e3o s\u00f3 tenham sido sentidas quando a Reforma chegou ao Carmo &#8211; justo quando Jo\u00e3o Henrique se elegeu prefeito (ainda pela esquerda) e Paulo Souto, rompido com ACM, era governador pela \u00faltima vez. Isto \u00e9: fora do carlismo; e, principalmente, sem retirar moradores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(O curioso, Fl\u00e1vio, \u00e9 que nenhum carlista levanta essa bandeira. Ficam todos acuados pelos profusos erros. Nem Geddel consegue!)<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto de Caetano, mais do que mais uma den\u00fancia a um suposto abandono do Pelourinho (abandono que pra mim n\u00e3o existe, estou de acordo com voc\u00ea), h\u00e1 um pedido pra que o governo se manifeste no sentido de dizer o que, diante das chagas atuais, considera positivo e o que pretende modificar. Um pedido pra que, j\u00e1 que critica tanto (e, no meu entender, justamente) o modelo executado pelos carlistas, j\u00e1 que afirma que o Pelourinho deve \u201candar com as pr\u00f3prias pernas \u2013 e da\u00ed vem a cr\u00edtica de Caetano ao privatismo que voc\u00ea diz n\u00e3o ter entendido\u2026 -, que projete algo diferente. Que realize. Mas que n\u00e3o se descuide do Pelourinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sei, repito, que o Centro Hist\u00f3rico n\u00e3o est\u00e1 nada parado. H\u00e1 muitas atra\u00e7\u00f5es art\u00edsticas boas promovidas pelo Estado no bairro. E h\u00e1 outras a\u00e7\u00f5es interessantes, citadas inclusive por voc\u00ea no seu texto. Mas sou ciente tamb\u00e9m da intensifica\u00e7\u00e3o das reclama\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos anos (por pilantragem da m\u00eddia ou n\u00e3o) e acredito que, independentemente de ter havido um real recrudecimento nos \u00faltimos anos, h\u00e1 problemas s\u00e9rios a serem resolvidos. O governo tem sido suficientemente ativo diante desses problemas, considerando a import\u00e2ncia do Pelourinho pra cidade?<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">No meu entender, sim. A partir do m\u00eas que vem o Governador passa a despachar do Pal\u00e1cio Rio Branco. E em 2011 a UFBA volta a ter aulas de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s- no Terreiro de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duas coisas que n\u00e3o acontecem desde que ACM foi imposto governador, em 1970. E que causam real ocupa\u00e7\u00e3o do Pel\u00f4, para al\u00e9m do turistismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o principal nem \u00e9 isso: pela primeira vez se pensa o Centro Antigo, e n\u00e3o apenas o Pelourinho-Carmo. O Centro Antigo vai da Vit\u00f3ria a Liberdade, da Jequitaia a Nazar\u00e9. Finalmente, as a\u00e7\u00f5es incluem o Pel\u00f4 como parte de outras envolventes da capital; e do estado, j\u00e1 que hoje (e n\u00e3o antes) a capital transita entre Cachoeira (que ocupa esta fun\u00e7\u00e3o em homenagem a Guerra de Independ\u00eancia entre os dias 26 de junho e 2 de julho) e Salvador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o \u00e9 mero simbolismo (embora se fosse, j\u00e1 seria muito). Isso tem efeitos pr\u00e1ticos &#8211; muito mais r\u00e1pidos e evidentes do que o simbolismo que voc\u00ea citou acima, de o carlismo ter feito a popula\u00e7\u00e3o brasileira encarar o Pel\u00f4 como um tesouro p\u00e1trio &#8211; e que, repito, \u00e9 mesmo louv\u00e1vel!<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, tentando esclarecer pra n\u00e3o ser tamb\u00e9m chamado de confuso: n\u00e3o concordo com Caetano quando insinua haver um abandono, mas concordo quanto \u00e0 necessidade de pol\u00edticas claras e cuidadosas para o lugar.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pol\u00edticas claras h\u00e1, sen\u00e3o o Escrit\u00f3rio de Refer\u00eancia n\u00e3o teria sido premiado pela Caixa Econ\u00f4mica Federal nem estaria concorrendo a pr\u00eamio similar pela ONU em Dubai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que concordo que falta \u00e9 uma divulga\u00e7\u00e3o mais clara e ostensiva. S\u00f3 que n\u00e3o \u00e9 de hoje que dizemos, <a href=\"http:\/\/twitter.com\/delaorden\" target=\"_blank\">e n\u00e3o somos os \u00fanicos a diz\u00ea-lo<\/a>, que o Governo Wagner tem grav\u00edssima dificuldade de se comunicar com a popula\u00e7\u00e3o &#8211; que embora o apoie largamente, e sinta no dia a dia ganhos importantes, fica confusa e n\u00e3o consegue organizar este apoio e estes ganhos num discurso explicativo para si pr\u00f3pria.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, de todo modo, concord\u00e2ncias e discord\u00e2ncias, quanto ao m\u00e9rito, a parte, quero com o meu coment\u00e1rio dizer que acho o texto de Caetano distante desse rid\u00edculo que voc\u00ea pintou. H\u00e1, sim, subst\u00e2ncia, l\u00f3gica, no texto. Embora haja tamb\u00e9m relativiza\u00e7\u00f5es inconclusivas \u2013 o que n\u00e3o \u00e9 de todo ruim: uma das coisas que atraem no pensamento de Caetano \u00e9 justamente a sua complexidade, em contrapartida a tanta gente que chega a conclus\u00f5es com a maior facilidade, manique\u00edstas demais pra tra\u00e7ar alguma realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O seu erro grave no texto \u00e9 n\u00e3o ver ou n\u00e3o destacar o quanto as problem\u00e1ticas atuais do Pelourinho dizem respeito \u00e0 sua transforma\u00e7\u00e3o em shopping center a c\u00e9u aberto pelo carlismo. Quanto ao resto, s\u00e3o pondera\u00e7\u00f5es razo\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa ridiculariza\u00e7\u00e3o, t\u00e3o em voga, a Caetano Veloso pra mim \u00e9 uma bobagem e mais ainda \u00e9 bobagem tentar ridiculariz\u00e1-lo numa compara\u00e7\u00e3o com Chico Buarque. Caetano n\u00e3o deve em nada a Chico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o ver, por exemplo, que chamar M\u00e1rcio Meirelles de amigo \u00e9 uma forma de ressaltar uma impessoalidade da sua cr\u00edtica \u2013 um car\u00e1ter c\u00edvico \u2013 e dizer, por outro lado, que se trata de \u201cran\u00e7o carlista\u201d \u00e9 uma prova dessa birra que muitos t\u00eam com Caetano Veloso. De Chico Buarque at\u00e9 as besteiras s\u00e3o aben\u00e7oadas\u2026<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 que Chico costuma ter parcim\u00f4nia; no que Caetano n\u00e3o tem nenhuma, e nisso \u00e9 bem bahiano &#8211; no peior sentido do termo&#8230; (isto \u00e9: a fala de Caetano n\u00e3o segue a xibietagem de Mangabeira; ao contr\u00e1rio, \u00e9 uma des-xibietagem que s\u00f3 fica com a parte risonha e agressiva do pensamento do lend\u00e1rio ex-governador, jogando fora sua agudeza e sagacidade).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O leitor que assina por Fl\u00e1vio Alves, da Bahia, mandou um coment\u00e1rio extenso e intensivo sobre nossas cr\u00edticas a postura insensata de Caetano Veloso. 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