{"id":2290,"date":"2010-04-11T14:18:41","date_gmt":"2010-04-11T17:18:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2290"},"modified":"2025-12-24T13:02:58","modified_gmt":"2025-12-24T16:02:58","slug":"festa-sem-pe-nem-cabeca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2290","title":{"rendered":"Festa sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/nave.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-2292\" title=\"nave\" src=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/nave.jpg\" alt=\"\" width=\"354\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/nave.jpg 354w, https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/nave-212x300.jpg 212w\" sizes=\"auto, (max-width: 354px) 100vw, 354px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pela segunda &#8211; e \u00faltima! &#8211; vez fiz o esfor\u00e7o herc\u00faleo de tentar ir a <strong><a href=\"http:\/\/www.myspace.com\/festanave\" target=\"_blank\">Festa Nave<\/a><\/strong> (desta vez com o tema de <strong>Bacanave<\/strong>), e me foi completamente insuport\u00e1vel. N\u00e3o me agrada dizer isso, j\u00e1 que a festa \u00e9 mantida a 5 anos seguidos, passando por tr\u00eas casas diferentes (e hoje residindo no bunker do P\u00f3s-Ax\u00e9, que \u00e9 a Boomerangue), por duas pessoas que admiro: <strong>Luciano Matos<\/strong>, e de modo mais distante e virtual <strong>Janocide<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m me incomoda esta constata\u00e7\u00e3o pessoal, porque sei o papel que a <strong>Nave<\/strong> cumpriu nos anos terminais e duros do axez\u00e3o dominante. De 2005 a 2007 foi um dos canais de abertura, inserindo a f\u00f3rceps e marteladas o pop e o rock mundial independente e de ponta na claustrof\u00f3bica &#8220;Capital do Ax\u00e9&#8221;. Sem isso, muita coisa n\u00e3o teria mudado na recep\u00e7\u00e3o cultural de um p\u00fablico, na mentalidade e h\u00e1bitos de uma classe m\u00e9dia que ent\u00e3o transpirava jequice. Especialmente, sem a <strong>Nave<\/strong>, o <strong><a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=384\" target=\"_blank\">Baile Esquema Novo<\/a><\/strong> jamais viria a nascer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto posto, em que consiste a <strong>Nave<\/strong> hoje? Uma cena da madrugada deixava claro: numa festa tem\u00e1tica desta vez centrada no erotismo e na pornografia, meninos se aglomeravam em frente a uma m\u00e1quina para jogar fliperama enquanto sobre suas cabe\u00e7as girava um manequim de vitrine sem p\u00e9s, bra\u00e7os e cabe\u00e7a, de pl\u00e1stico &#8211; algo como uma V\u00eanus de Milo <em>ready-made<\/em>, uma Vit\u00f3ria de Samotr\u00e1cia inalada. A <strong>Nave<\/strong> \u00e9 isso: uma festa que, se propondo a ser de putaria, as pessoas v\u00e3o para jogar video-game. E cujo \u00edtem mais subversivo \u00e9 um manequim desnudo pendurado no teto (e como disse um amigo: ainda por cima fr\u00edgida! &#8220;Voc\u00ea mete o dedo no c\u00fa dela e ela nem reage&#8230;&#8221; &#8211; ele \u00e9 frequentador do <strong>Baile Esquema Novo<\/strong>, e n\u00e3o da <strong>Nave<\/strong>&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o <strong>Esquema Novo<\/strong> \u00e9 um Baile &#8211; uma celebra\u00e7\u00e3o da dan\u00e7a coletiva e em par, quase carnavalesca, uma verdadeira pipoca da m\u00fasica brasileira lato senso -, a <strong>Nave<\/strong> \u00e9 uma festinha de playground. N\u00e3o cabe nem dizer que o p\u00fablico da <strong>Nave<\/strong> s\u00f3 pularia carnaval de abad\u00e1 ou em camarote: este \u00e9 o p\u00fablico das chat\u00edssimas boates heteros e igualmente chatas boates gays de Salvador (chatas, mas nisso leg\u00edtimas e aut\u00eanticas). O p\u00fablico da <strong>Nave<\/strong> n\u00e3o iria ao Carnaval, porque tem medo, porque s\u00f3 anda em grupelhos sect\u00e1rios; ou porque, em \u00faltima inst\u00e2ncia, embora em sua minoria, fazem parte dos xiitas camisas-pretas que n\u00e3o se deram conta de que a oposi\u00e7\u00e3o est\u00e9tica (falsa!) <em>ax\u00e9-music X rock`n roll<\/em> acabou tem tr\u00eas anos e l\u00e1 vai&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o <strong>Baile Esquema Novo<\/strong> exala cheiro de Ribeira, Canela e Largo Dois de Julho (mijo incluso!), a <strong>Nave<\/strong> fede a Pituba, Imbu\u00ed e, no limite, LeParcs e Alphavilles. Na melhor das hip\u00f3tese, a Festa Nave \u00e9 hoje uma p\u00e1lida imita\u00e7\u00e3o do <a href=\"http:\/\/www.aloca.com.br\/\" target=\"_blank\">Grind da Loca<\/a>, em Sampa &#8211; sem no entanto herdar deste o esp\u00edrito, que fica todinho no Baile. O Grind e o Baile cumprem a fun\u00e7\u00e3o de lan\u00e7ar novos olhares e haveres sobre as suas cidades (S\u00e3o Paulo e Salvador); a Nave, ao contr\u00e1rio, enclausura e renega sua cidade (querendo fazer de Salvador uma S\u00e3o Paulo capenga, ou contemplando um p\u00fablico que abomina Salvador e que daria tudo para fugir pra Sampa). Se houvesse uma festa de m\u00fasica brasileira em Sampa eu diria o mesmo: \u00e9 uma imita\u00e7\u00e3o do <strong>Esquema Novo<\/strong> como formato &#8211; mas n\u00e3o capta seu esp\u00edrito, que \u00e9 id\u00eantico ao da Loca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>BacaNave<\/strong> foi, parece, uma tentativa de inserir algum erotismo (virtual e asc\u00e9ptico) na festa. Ora, este mesmo erotismo, real, l\u00e2nguido e flutuante, existe no <strong>Baile Esquema Novo<\/strong> sem precisar de fazer esfor\u00e7o &#8211; e \u00e9 um erotismo bahiano, que s\u00f3 existe em bahian\u00eas: xibietagem. Falta a <strong>Nave<\/strong> uma auto-ironia cosmopolita que sobra ao Baile. E isso se reflete no modo com que se vai vestido: os frequentadores da <strong>Nave<\/strong> parecem estar fantasiados de paulistanos <em>wannabe<\/em>; para o <strong>Baile Esquema Novo<\/strong> se vai de chinela havaiana, regata velha e bermuda rasgada. Eu mesmo j\u00e1 fui de sunga e salgado de \u00e1gua do mar, ou podre de suor, chuva e cerveja de ter sambado um dia inteirinho em Cachoeira na Festa da Boa Morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>Nave<\/strong> teve um papel important\u00edssimo, vive cheia e seus criadores e mantenedores s\u00e3o louv\u00e1veis por isso. Mas minha rela\u00e7\u00e3o com ela \u00e9 a mesma que tenho com a filosofia em compara\u00e7\u00e3o com as ci\u00eancias. A filosofia fez um bem enorme a humanidade, parindo as ci\u00eancias. Uma vez que estas nasceram, e cresceram, podem andar pelas pr\u00f3prias pernas, e o melhor que a filosofia faz \u00e9 desaparecer como tecnologia obsoleta. A <strong>Nave<\/strong> fez o <strong>Baile Esquema Novo<\/strong> (e parte do p\u00f3s-ax\u00e9) surgir; no entanto, como uma festa que \u00e9 a cara do anti-axezismo, est\u00e1 pra l\u00e1 de obsoleta e ultrapassada. Me lembra, \u00e0s vezes, Feira de Santana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela segunda &#8211; e \u00faltima! &#8211; vez fiz o esfor\u00e7o herc\u00faleo de tentar ir a Festa Nave (desta vez com o tema de Bacanave), e me foi completamente insuport\u00e1vel. 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