{"id":2268,"date":"2010-04-01T18:07:47","date_gmt":"2010-04-01T21:07:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2268"},"modified":"2025-12-24T13:02:58","modified_gmt":"2025-12-24T16:02:58","slug":"ih-aninha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2268","title":{"rendered":"ih, Aninha&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"attachment_2269\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/aninha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2269\" class=\"size-full wp-image-2269\" title=\"aninha\" src=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/aninha.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"255\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2269\" class=\"wp-caption-text\">Perigo: ressentimento a vista!<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>iBahia<\/strong>, da rede carlista de parajornalismo <em>TV Bahia<\/em>, fez uma s\u00e9rie de entrevistas na semana passada por ocasi\u00e3o do <strong><em>Dia Mundial do Teatro<\/em><\/strong>. Foram tr\u00eas, uma com cada um dos grandes nomes de sustento e esteio do teatro bahiano (que um dia foi de resist\u00eancia): Aninha Franco, Marcio Meirelles, e Prof. Harildo Deda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/ibahia.globo.com\/entrevistas\/artigos\/default.asp?modulo=1446&amp;codigo=224945\" target=\"_blank\">A entrevista de Aninha Franco<\/a> seria c\u00f4mica, se n\u00e3o fosse digna de pena &#8211; <a href=\"http:\/\/terramagazine.terra.com.br\/interna\/0,,OI4223380-EI6783,00.html\" target=\"_blank\">com ela portando-se como uma esp\u00e9cie de Henrique II (ou Ricardo III)<\/a> de saias (saias?). Seguem abaixo trechos comentados por mim:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>iBahia.com &#8211; Existe uma preocupa\u00e7\u00e3o dos governantes em promover a cultura na Bahia?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Ainda n\u00e3o existe uma pol\u00edtica cultural cient\u00edfica. Estou lan\u00e7ando um livro em agosto deste ano que chama \u201cA cria\u00e7\u00e3o na cidade da Bahia &#8211; 1990 a 2000\u201d. E a pesquisa com o XIII foi fundamental para escrever este livro. Eu acompanhei de dentro do XIII como as coisas funcionavam do lado de fora e eu pude perceber como as pol\u00edticas s\u00e3o feitas. Elas ainda s\u00e3o profundamente artesanais e n\u00e3o tem cienticifismo nenhum. N\u00e3o \u00e9 uma coisa planejada. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a cultura, isso acontece tamb\u00e9m com o turismo e com v\u00e1rias outras \u00e1reas.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pausa dram\u00e1tica: o que vem a ser <em>pol\u00edtica cultural cient\u00edfica<\/em>? Se ela se refere com isso a fazer pol\u00edticas p\u00fablicas a partir de auferimentos de dados pr\u00e9vios e posteriores a sua aplica\u00e7\u00e3o &#8211; ora, nunca antes na Bahia se fez isso. S\u00f3 agora. Ent\u00e3o, o que ela fala \u00e9 mentira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se ela quer dizer pol\u00edticas p\u00fablicas alentadamente teorizadas, de modo academicista, &#8211; ora, n\u00e3o era essa a cr\u00edtica que se fazia (ao meu ver, tamb\u00e9m falaciosa) a gest\u00e3o de M\u00e1rcio Meirelles? H\u00e1 ou uma grave contradi\u00e7\u00e3o, ou uma profunda desonestidade intelectual, no discurso de Aninha Franco. Ou ent\u00e3o ela \u00e9 uma eterna insatisfeita que, mesmo tendo seu Teatro XVIII reaberto com verba do Fundo Estadual de Cultura, ainda n\u00e3o sabe bem o que deseja &#8211; mas isso \u00e9 uma quest\u00e3o de foro \u00edntimo para ela tratar com seu psicanalista, e n\u00e3o fazendo atua\u00e7\u00f5es (no sentido psicopatol\u00f3gico do termo) p\u00fablicas.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>iBahia.com &#8211; Mas, do tempo que come\u00e7ou at\u00e9 hoje, voc\u00ea consegue perceber uma evolu\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Agora na gest\u00e3o de M\u00e1rcio Meirelles, por exemplo, houve uma involu\u00e7\u00e3o. Ele errou muito quando come\u00e7ou brigando com os artistas. As mat\u00e9rias primas do teatro s\u00e3o o artista e o p\u00fablico e deve-se tentar promover o encontro dos dois. A fun\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria cultural \u00e9 promover esse encontro. \u00c9 acertar nesse encontro. No momento em que ele (Meirelles) come\u00e7a brigando com os artistas, automaticamente ele prejudica plat\u00e9ias desses artistas. Ele deve ter acertado em algumas coisas, mas foram muitos erros. Eu ainda n\u00e3o estudei o per\u00edodo dele, mas pretendo fazer isso.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brigou com <em>quais<\/em> artistas, Aninha? Com alguns? Ora, qualquer mudan\u00e7a de rumo pol\u00edtico implica em ruptura. Ou esta senhora acredita em parto sem dor? E mais: \u00e9 involu\u00e7\u00e3o aumentar em dez vezes o n\u00famero de produ\u00e7\u00f5es que receberam verba do Fundo de Cultura?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novamente, <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=1767\" target=\"_blank\">ela confunde a insatisfa\u00e7\u00e3o do teatro, com a insatisfa\u00e7\u00e3o das artes em geral<\/a>, e destas com uma suposta insatisfa\u00e7\u00e3o do setor cultural. Com isso, ela n\u00e3o pode fazer a pergunta fundamental que n\u00f3s aqui nesta budega temos feito: por que o teatro minguou, quando todo o resto decolou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lendo esta s\u00e9rie de entrevistas uma id\u00e9ia me ocorreu. O teatro bahiano, do auge de sua resist\u00eancia, centrava sua produ\u00e7\u00e3o em tr\u00eas autores: Aninha no XVIIIt\u00e3o, M\u00e1rcio Meirelles no Vila Velha, Harildo D\u00e9da com as m\u00edticas montagens de formatura da UFBA e com o curso livre de teatro na mesma escola. Harildo se aposentou, e a qualidade de produ\u00e7\u00e3o da Escola de Teatro da UFBA caiu sensivelmente desde ent\u00e3o (embora continue uma das melhores das Am\u00e9ricas); mais ou menos na mesma \u00e9poca, M\u00e1rcio sai do Vila Velha e vai ser Secret\u00e1rio de Cultura; e Aninha passa a fazer mais brigas de rua do que pe\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Natural que haja uma crise, at\u00e9 por falta de l\u00edderes atuando, ou n\u00e3o \u00e9? Fernando Guerreiro e Possi Neto n\u00e3o podem ser computados nestes basti\u00f5es da resist\u00eancia porque atuavam e atuam tanto ou mais fora da Bahia do que dentro &#8211; e aqui, com pe\u00e7as meio <em>vaudeville<\/em>, longe do realismo cl\u00e1ssico (UFBA) ou da experimenta\u00e7\u00e3o popular (XVIIIt\u00e3o e Vila do Velho). Os mais j\u00f3vens, formados por estes, como Gil Vicente Tavares, ou n\u00e3o tiveram tempo de consolidar sua autoralidade aut\u00f4noma, ou foram morar fora do estado (caso de L\u00e1zaro Ramos, Vladimir Brichta, Wagner Moura, e outros).<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>iBahia.com &#8211; Mas o teatro baiano tem muitas companhias. Duas, inclusive, s\u00e3o conhecidas nacionalmente: a Cia Baiana de Patifaria e Bando de Teatro Olodum.<\/strong><br \/>\nAo meu ver, existem companhias conhecidas nacionalmente, mas nenhuma \u00e9 respeitada. O Bando de Teatro Olodum foi profundamente criticado no Rio de Janeiro. H\u00e1 cerca de um ano, as criticas para \u00d3 Pai, \u00d3 no jornal O Globo, diziam que \u00e9 um teatro amador.\u00a0Alguns dos grandes nomes do Bando como T\u00e2nia Toko, Alo\u00edsio Menezes e Luciana Souza sa\u00edram. E isso foi p\u00e9ssimo para o grupo.\u00a0A Companhia Baiana de Patifaria estourou com A Bofetada na d\u00e9cada de 90. Agora n\u00f3s n\u00e3o temos nenhuma companhia e espet\u00e1culo s\u00f3lido. N\u00f3s estamos em um momento muito complicado.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Bando de Teatro Olodum teve sua montagem para <em>Sonho de Uma Noite de Ver\u00e3o<\/em>, de Shakespeare, elogiada por B\u00e1rbara Heliodora em pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pr\u00f3ximo ressentimento?<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>iBahia.com &#8211; A m\u00eddia poderia ajudar nesse momento do teatro baiano?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. A m\u00eddia n\u00e3o pode. Quando o teatro acontece, a m\u00eddia acontece junto com o teatro. Os cr\u00edticos aparecem e os teatros s\u00e3o constru\u00eddos. Quem tem que apontar e despontar \u00e9 o pr\u00f3prio teatro e ai tudo vem atr\u00e1s. Jackson costa, por exemplo, foi jogado na m\u00eddia pelo teatro. Ele come\u00e7ou fazendo teatro e ai passou pela televis\u00e3o. O teatro promove outras linguagens como cinema e televis\u00e3o E sem o bom e verdadeiro teatro a Bahia est\u00e1 em um momento complicad\u00edssimo.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comovente. No Brasil inteiro a Globo d\u00e1 vez e voz ao <em>vaudeville<\/em> barato, e boicota o teatro experimental. Na Bahia, pior ainda, e o empresariado bahiano gasta os tubos com blocos de corda e abad\u00e1 de ax\u00e9-music e nenhum tusta com produ\u00e7\u00e3o cultural autoral e democr\u00e1tica. Mas Aninha acha que a imprensa n\u00e3o tem em que colaborar numa Reforma Cultural n\u00e3o &#8211; tadinha, n\u00e9, Aninha?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para concluir: n\u00e3o deixa de ser hilariante que o <em>iBahia<\/em> tenha feito o lapso de grafar XIII (treze) toda vez que se referia ao Teatro XVIII (dezoito). E eu n\u00e3o me refiro a qualquer tipo de petismo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. 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