{"id":2029,"date":"2009-11-23T10:14:47","date_gmt":"2009-11-23T13:14:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2029"},"modified":"2025-12-24T13:03:36","modified_gmt":"2025-12-24T16:03:36","slug":"a-cidade-obra-de-arte-a-cidade-que-se-esconde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2029","title":{"rendered":"A cidade obra de arte &#8211; a cidade que se esconde"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial, sans-serif; line-height: normal; border-collapse: collapse;\"> <\/span><\/p>\n<h3>\n<div class=\"mceTemp mceIEcenter\">\n<div>\n<div class=\"mceTemp mceIEcenter\">\n<dl id=\"attachment_2030\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 660px;\">\n<dt class=\"wp-caption-dt\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2030\" title=\"ribeira\" src=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/ribeira.jpg\" alt=\"Barcos fazem a travessia do sub\u00farbio ferrovi\u00e1rio para a Cidade Baixa, em 10min a 50 centavos a passagem. Grande solu\u00e7\u00e3o de mobilidade para uma cidade que fica dentro da maior ba\u00eda do planeta. E a vista, dos dois lados, \u00e9 linda de morrer...\" width=\"650\" height=\"425\" srcset=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/ribeira.jpg 650w, https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/ribeira-300x196.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/dt>\n<\/dl>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/h3>\n<blockquote>\n<h6>(acima: Barcos fazem a travessia do sub\u00farbio ferrovi\u00e1rio para a Cidade Baixa, em 10min a 50 centavos a passagem. Grande solu\u00e7\u00e3o de mobilidade para uma cidade que fica dentro da maior ba\u00eda do planeta. E a vista, dos dois lados, \u00e9 linda de morrer&#8230;)<\/h6>\n<\/blockquote>\n<h3>Rela\u00e7\u00f5es poss\u00edveis &amp; imposs\u00edveis entre um plano ciclovi\u00e1rio e a barroqu\u00edssima Capital Reconvexa da Di\u00e1spora*<\/h3>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 agora, todos os coment\u00e1rios feitos aqui dizem respeito das dificuldades de implementar um uso mais ostensivo de bicicletas como meio de transporte em Salvador: suas condi\u00e7\u00f5es topogr\u00e1ficas, hist\u00f3ricas e demo-econ\u00f4micas. N\u00e3o obstante, h\u00e1 pelo menos uma grande &#8211; e insubstitu\u00edvel &#8211; vantagem do uso deste modal na SanFrancisco Nag\u00f4.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Salvador, como o Rio de Janeiro, \u00e9 tida como cidade obra-de-arte: uma cidade constru\u00edda para retirar de si o m\u00e1ximo efeito est\u00e9tico. Contudo, ela n\u00e3o faz isso da mesma forma que o Rio. Na capital fluminense, de car\u00e1ter neocl\u00e1ssico, toda a beleza est\u00e1 a n\u00fa, em propor\u00e7\u00f5es monumentais: montanhas, avenidas, pal\u00e1cios. J\u00e1 Salvador, barroca, \u00e9 uma &#8220;cidade lacrada&#8221;: sua beleza est\u00e1 na surpresa arquitet\u00f4nica de, por exemplo, entrever o mar entre um forte e uma igreja. Est\u00e1 nas brechas que a cidade, eclesi\u00e1stica e militar, deixa escapar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pr\u00e1tica, a cidade pulula de obras visuais, como os pain\u00e9is de\u00a0<a style=\"color: #0000cc;\" href=\"http:\/\/www.cultura.salvador.ba.gov.br\/imagens\/sitios-historicos\/marco-painel-cariberuachile.jpg\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"text-decoration: none;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Caryb\u00e9<\/span><\/span><\/span><\/a> e\u00a0<a style=\"color: #0000cc;\" href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_x99guRlpF9o\/Sbl4ImqePuI\/AAAAAAAABQc\/8pU-z7Dyd7E\/s400\/bel_borba-768665.jpg\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"text-decoration: none;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Bel Borba<\/span><\/span><\/span><\/a>, os\u00a0<a style=\"color: #0000cc;\" href=\"http:\/\/conversademenina.files.wordpress.com\/2009\/09\/painel-terreiro-casa-branca.jpg\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"text-decoration: none;\"><span style=\"color: #0000ff;\">gradis de Calazans Neto<\/span><\/span><\/span><\/a>, as esculturas de M\u00e1rio Cravo, os\u00a0<a style=\"color: #0000cc;\" href=\"http:\/\/www.cstexpansaourbana.com.br\/img\/apart-flat\/img-ondinaapartg.jpg\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"text-decoration: none;\"><span style=\"color: #0000ff;\">pr\u00e9dios<\/span><\/span><\/span><\/a> de\u00a0<a style=\"color: #0000cc;\" href=\"http:\/\/midia.brasilviagem.com\/jpg\/154361.jpg\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"text-decoration: none;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Di\u00f3genes Rebou\u00e7as<\/span><\/span><\/span><\/a>. Obras monumentais que est\u00e3o em s\u00edtios e ruas muito estreitos. A monumentalidade barroca exigiria naturalmente um distanciamento para enxerg\u00e1-la, o que em Salvador \u00e9 imposs\u00edvel, e da\u00ed ela ser superlativamente barroca. A p\u00e9, as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o excessivas, e se fica cego de tanto v\u00ea-las; de carro, sem poder ver o c\u00e9u acima das cabe\u00e7as, e um tanto r\u00e1pido demais, perde-se informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 no ritmo suave e constante da bike, mais r\u00e1pido do que o pedestre mais menos do que o carro, com c\u00e9u aberto acima, que se pode apreciar e descobrir esta cidade que se fecha e se esconde &#8211; que como a Roma de Felinni, n\u00e3o se abre facilmente. Se boa parte da vida lend\u00e1ria de Salvador est\u00e1 nas ladeiras (intranspon\u00edveis mesmo de carro, e para as quais se criou bondes, elevadores e planos-inclinados), ela est\u00e1 tamb\u00e9m nos becos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembro duas passagens minhas pessoais em que isto ficou claro. Uma, de carro, quando estacionei num belvedere acima da Ladeira da Independ\u00eacia, em Nazar\u00e9, e ao soltar do autom\u00f3vel percebi que o olhar atravessava com tranquilidade dois vales (Nazar\u00e9 e Barroquinha), e ia descansar direto no front\u00e3o da Igreja dos Jesu\u00edtas (atual Bas\u00edlica) no Pelourinho, que repontava al\u00ed como uma inopinada rosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra, mais recente, quando pedalando pelo\u00a0<a style=\"color: #0000cc;\" href=\"http:\/\/farm1.static.flickr.com\/193\/493147516_027bd2f6fb.jpg?v=0\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"text-decoration: none;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Dique do Toror\u00f3<\/span><\/span><\/span><\/a> (onde h\u00e1 pedalinhos aqu\u00e1ticos, e onde ali\u00e1s se dispunha de um\u00a0<a style=\"color: #0000cc;\" href=\"http:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/1\/1a\/Barco_no_dique_2.jpg\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"text-decoration: none;\"><span style=\"color: #0000ff;\">transporte fluvial por barco<\/span><\/span><\/span><\/a>, tal como a travessia Ribeira-Plataforma pode ser hoje feita por barco a R$ 00,50 em menos de dez minutos. E talvez seja o transporte por barco uma das grandes solu\u00e7\u00f5es de mobilidade ainda por se implantar em Salvador), pude ter a sensa\u00e7\u00e3o clara dos\u00a0<a style=\"color: #0000cc;\" href=\"http:\/\/farm1.static.flickr.com\/48\/139841563_430023cb73.jpg\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"text-decoration: none;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Orix\u00e1s de Tati Moreno<\/span><\/span><\/span><\/a> dan\u00e7arem, e pude captar a monumentalidade vazada do Est\u00e1dio da Fonte Nova &#8211; de onde a dist\u00e2ncia, e em movimento suave, se tem a impress\u00e3o que as \u00e1guas do dique brotam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas vilosidades vaginais (algu\u00e9m j\u00e1 disse que esta cidade \u00e9 \u00famida, quente e sensual como uma vulva) se perdem sem a bicicleta, que permite desvios r\u00e1pidos de rota. Como certo dia, saindo da Sala Walter da Silveira de cinema, nos Barris, passei pelo Rio Vermelho &#8211; para descobrir, sem pr\u00e9vio aviso, o\u00a0<a style=\"color: #0000cc;\" href=\"http:\/\/www.myspace.com\/mohidecoentro\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"text-decoration: none;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Bando Virado No M\u00f3hi de Cuentro<\/span><\/span><\/span><\/a> tocando um forrozinho a beira-mar, em pleno dia de semana. Se fosse de carro, provavelmente eu n\u00e3o poderia parar para ver por falta de vaga, ou por cansa\u00e7o.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h3><span style=\"font-weight: normal;\">* texto feito em colabora\u00e7\u00e3o ao <\/span><a href=\"http:\/\/blog.transporteativo.org.br\/index.php?s=Salvador\" target=\"_blank\"><span style=\"font-weight: normal;\">blog da ONG Transporte Ativo<\/span><\/a><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(acima: Barcos fazem a travessia do sub\u00farbio ferrovi\u00e1rio para a Cidade Baixa, em 10min a 50 centavos a passagem. Grande solu\u00e7\u00e3o de mobilidade para uma cidade que fica dentro da maior ba\u00eda do planeta. 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