{"id":2018,"date":"2009-11-18T19:46:29","date_gmt":"2009-11-18T22:46:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2018"},"modified":"2025-12-24T13:03:36","modified_gmt":"2025-12-24T16:03:36","slug":"noticias-do-pos-axezismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=2018","title":{"rendered":"Not\u00edcias do P\u00f3s-Axezismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"attachment_2021\" style=\"width: 260px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2021\" class=\"size-full wp-image-2021\" title=\"mino\" src=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/mino.jpg\" alt=\"O velho decano do (anti-)jornalismo aplaude &amp; sa\u00fada a fina-flor do p\u00f3s-ax\u00e9\" width=\"250\" height=\"308\" srcset=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/mino.jpg 250w, https:\/\/www.ultimobaile.com\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/mino-243x300.jpg 243w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><p id=\"caption-attachment-2021\" class=\"wp-caption-text\">O velho decano do (anti-)jornalismo aplaude &amp; sa\u00fada a fina-flor do p\u00f3s-ax\u00e9<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong><a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/app\/materia.jsp?a=2&amp;a2=10&amp;i=5476\" target=\"_blank\">Carta Capital<\/a><\/strong> desta semana d\u00e1 destaque a produ\u00e7\u00e3o musical que n\u00e3o passa pela m\u00eddia, pelas grandes gravadoras, e que vem de fora do eixo Sampa-Rio-BeAg\u00e1-Porto Alegre. Especialmente, vem de Recife e da Bahia. Assim mesmo: Recife <em>&amp; Bahia<\/em> &#8211; em p\u00e9 de igualdade! Quem diria, hein?<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Edu Krieger. Lulina. Ronei Jorge e Os Ladr\u00f5es de Bicicleta. Lucas Santtana. Desconhecidos da maior parte do p\u00fablico, esses s\u00e3o alguns dos nomes que levam a (boa) m\u00fasica brasileira adiante e t\u00eam feito de 2009 um \u00f3timo ano em termos musicais. Em terra aplainada pela pulveriza\u00e7\u00e3o via internet e pelo esfarelamento das gravadoras multinacionais, esses e outros nomes partem de uma rela\u00e7\u00e3o zerada com seu of\u00edcio, mas ainda voam longe do sucesso de massa.<\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais radical na demoli\u00e7\u00e3o da MPB como a conhec\u00edamos \u00e9 Lucas Santtana, ativo militante da cultura digital, cujo \u00edmpeto provocador deve estar inscrito no c\u00f3digo gen\u00e9tico, pois \u00e9 sobrinho de Tom Z\u00e9 e filho do tamb\u00e9m baiano Roberto Sant\u2019Ana, produtor musical ligado \u00e0s origens do grupo tropicalista. Lan\u00e7ado em julho, seu\u00a0<em>Sem Nostalgia<\/em> (ybmusic) tornou-se um dos discos de ponta de 2009, pelo trabalho de desconstruir (e reconstruir) a import\u00e2ncia, a sombra e o peso do viol\u00e3o brasileiro, por interm\u00e9dio de trechos instrumentais \u201csampleados\u201d (de modo n\u00e3o raro impercept\u00edvel) de Dorival Caymmi, Baden Powell, Jorge Ben, Gilberto Gil, Tom Z\u00e9 e Novos Baianos.<\/p>\n<p>A banda Ronei Jorge e Os Ladr\u00f5es de Bicicleta participa da vanguarda musical destes primeiros anos 2000, seja por injetar algum amor pela MPB no rock\u2019n\u2019roll, seja por praticar rock\u2019n\u2019roll em terra at\u00e9 h\u00e1 alguns anos colonizada quase exclusivamente pela ax\u00e9 music. \u201cComecei em 1994, \u00e9poca da explos\u00e3o da m\u00fasica baiana, do ax\u00e9. Aqui era meio deserto, a gente n\u00e3o tinha uma grande profissionaliza\u00e7\u00e3o, e a m\u00fasica de carnaval tomava a frente de tudo\u201d, diz, de Salvador. \u201cAt\u00e9 hoje \u00e9 meio assim, mas diminuiu.\u201d<\/p>\n<p>No rec\u00e9m-lan\u00e7ado\u00a0<em>Frascos Comprimidos Compressas<\/em> (Gira Independente), o grupo distende a rela\u00e7\u00e3o tensa com a hoje enfraquecida ax\u00e9 music. A letra de\u00a0<em>Aquela Dan\u00e7a<\/em>, por exemplo, dialoga com os ex \u201cinimigos\u201d, e Ronei comenta: \u201cAlguns do rock torceram o nariz. Os mais jovens adoram, s\u00e3o muito mais abertos que nossa gera\u00e7\u00e3o\u201d. Como a ecoar o t\u00edtulo farmac\u00eautico do CD, o cantor e compositor recebe como opressora a alegria hegem\u00f4nica do ax\u00e9. \u201cSe voc\u00ea n\u00e3o fizer parte, fica parecendo que \u00e9 meio doente. E \u00e0s vezes \u00e9 uma alegria meio tensa, alguns artistas ficam meio dopados na alegria. Ningu\u00e9m \u00e9 assim sempre\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Se ningu\u00e9m \u00e9 sempre alegre, tampouco deve ser triste sempre (como o rock independente costuma induzir). \u201cQuando a tev\u00ea daqui faz reportagem sobre rock, \u00e9 todo mundo de preto, morcego, tachinha. N\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica pop. A gente tenta trazer um discurso de leveza e as bandas mais jovens s\u00e3o muito mais relax\u201d, opina. \u201cA rela\u00e7\u00e3o entre o rock e o carnaval \u00e9 de \u00f3dio e de amor. A gente odiava, mas todo mundo corria para ver Pepeu Gomes e Armandinho tocando guitarra. Hoje revisitamos Ger\u00f4nimo, Luiz Caldas, Moraes Moreira. A gente est\u00e1 mais \u00e0 vontade.\u201d Ronei concorda que a distens\u00e3o se relaciona \u00e0 morte de Antonio Carlos Magalh\u00e3es e ao decl\u00ednio do carlismo na Bahia: \u201cSe estiv\u00e9ssemos em per\u00edodo de Antonio Carlos, seria impens\u00e1vel a diversidade. Hoje se apresentam aqui a Mariana Aydar, o (coletivo experimental paulista) Instituto. Abriram-se editais, antes nem sabia o que era isso\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora falando apenas do R\u00f3nei Jorge, <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=967\" target=\"_blank\">n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que a Carta Capital aponta exatamente para isto<\/a>: o axe-sistem era a superestrutura do carlismo; a crise de um e de outro s\u00e3o duas faces da mesma moeda e apontam para o tardio fim da Ditadura Militar na Bahia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com arg\u00facia, a Carta percebe tamb\u00e9m como o Manguebeat serviu de resist\u00eancia para Pernambuco \u00e0 ind\u00fastria cultural bahiana (que na verdade servia como um bra\u00e7o-invasor do sudeste) &#8211; e que, por outro lado, acabou sendo estagnante para Recife no longo prazo (<a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=1327\" target=\"_blank\">coisa que ali\u00e1s j\u00e1 dissemos aqui<\/a>):<\/p>\n<blockquote style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Terra de frevo e maracatu, o vizinho Pernambuco n\u00e3o teve seu ax\u00e9, mas viveu uma contrapartida ao comercialismo desenfreado baiano, na figura do cultuado, experimental e nem sempre muito comunicativo mangue bit. Se h\u00e1 distens\u00e3o por esse outro lado, um de seus nomes \u00e9 Lulina. Cantora e compositora imersa em anos de grava\u00e7\u00f5es caseiras (e do emprego principal em ag\u00eancias de publicidade), ela acaba de publicar um brilhante \u00e1lbum de estreia,\u00a0<em>Cristalina<\/em> (ybmusic), em que a do\u00e7ura se faz mat\u00e9ria principal de dezoito can\u00e7\u00f5es pop daquelas de decorar as letras ap\u00f3s a segunda audi\u00e7\u00e3o e cantar junto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lulina explica como recebeu, ainda adolescente, o advento do mangue bit: \u201cFui s\u00f3 uma vez a um show do Chico Science, um dos \u00faltimos dele. Ele era vizinho da minha tia-av\u00f3, vi o carro batido, a rela\u00e7\u00e3o era mais com a pessoinha que com a m\u00fasica. Eu era mais garota revoltadinha, na onda Nirvana, Sepultura, camiseta com caveira\u201d. Mas nem Nirvana, nem mangue bit, nem o samba (que tamb\u00e9m diz admirar) deram cartas em seu som. Ela descreve sensa\u00e7\u00e3o parecida \u00e0 de Ronei Jorge na Bahia, quanto ao predom\u00ednio de um ou outro g\u00eanero musical: \u201cEra dif\u00edcil a banda que n\u00e3o tocasse regional ter espa\u00e7o. Se voc\u00ea n\u00e3o faz regional com rabeca, ciranda ou mangue bit, n\u00e3o \u00e9 Recife\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem tudo s\u00e3o flores, entretanto. Recentemente, o <a href=\"http:\/\/terramagazine.terra.com.br\/interna\/0,,OI4106517-EI6581,00.html\" target=\"_blank\">legend\u00e1rio Emanoel Ara\u00fajo fez cr\u00edticas ao Secret\u00e1rio Marcio Meirelles no mesmo tom de Aninha Franco<\/a>. S\u00f3 que de Emanoel n\u00e3o se pode dizer que n\u00e3o conhe\u00e7a o tr\u00e2mite p\u00fablico (ele fez da Pinacoteca do Estado de S\u00e3o Paulo o melhor museu da Am\u00e9rica Latina), nem que seja um ressentido invejoso, muito menos inconsequente ou carlista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As respostas de Marcio foram, c\u00e1 entre n\u00f3s, superficiais. E o que Emanoel aponta <a href=\"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=1083\" target=\"_blank\">\u00e9 o que temos dito aqui<\/a>: a pol\u00edtica de museus come poeira para as outras \u00e1reas da Cultura, e para a pol\u00edtica de museus do antanho carlista (t\u00e3o a esquerda que Emanoel Ara\u00fajo foi um de seus baluartes). As palavras de Emanoel Ara\u00fajo s\u00e3o algo que a SECULT deve, por obriga\u00e7\u00e3o c\u00edvica (sen\u00e3o por excel\u00eancia administrativa), levar fortemente em considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto mais por ter sa\u00eddo na <strong>Terra Magazine<\/strong> de Bob Fernandes &#8211; uma revista eletr\u00f4nica cuja sede \u00e9 em Salvador (e dada sua import\u00e2ncia, isso faz dela tamb\u00e9m uma pe\u00e7a-chave no anti-axezismo, bem como a Carta Capital por ter o bahiano Leandro Fortes como uma das figuras-chave), e que tem acompanhado e apoiado todas as vertentes do p\u00f3s-axezismo (mesmo quando ningu\u00e9m mais da grande m\u00eddia &#8211; nem mesmo a Carta &#8211; dava uma v\u00edrgula a respeito); a Terra Magazine que claramente ap\u00f3ia Jaques Wagner, tem horror a Geddel Vieira Lima e que melhor noticiou a pris\u00e3o de Daniel Dantas e seus arrabaldes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9, portanto, uma opini\u00e3o &#8220;de vi\u00fava&#8221;. Mister n\u00e3o simplificar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pra n\u00e3o ficar s\u00f3 no choror\u00f4, vale notar o reconhecimento que o Nordeste inteiro tem a Marcio Meirelles como Secret\u00e1rio de Cultura. Notem que ele disputa tal prest\u00edgio com a m\u00edtica figura de Ariano Suassuna, Secret\u00e1rio da mesma pasta por Pernambuco. Disputa, e vence de lavada, como fica claro nesta <a href=\"http:\/\/opovo.uol.com.br\/opovo\/paginasazuis\/928670.html\" target=\"_blank\">entrevista dada a um importante jornal di\u00e1rio do Cear\u00e1<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Carta Capital desta semana d\u00e1 destaque a produ\u00e7\u00e3o musical que n\u00e3o passa pela m\u00eddia, pelas grandes gravadoras, e que vem de fora do eixo Sampa-Rio-BeAg\u00e1-Porto Alegre. Especialmente, vem de Recife e da Bahia. Assim mesmo: Recife &amp; Bahia &#8211; em p\u00e9 de igualdade! Quem diria, hein? Edu Krieger. Lulina. 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