{"id":1186,"date":"2009-06-15T13:10:22","date_gmt":"2009-06-15T16:10:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=1186"},"modified":"2025-12-24T13:03:40","modified_gmt":"2025-12-24T16:03:40","slug":"por-um-pais-do-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ultimobaile.com\/?p=1186","title":{"rendered":"Por um Pa\u00eds do Futebol"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Do blog de<a href=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/luisnassif\/2009\/06\/14\/o-escandalo-do-futebol\/\" target=\"_blank\"> Lu\u00eds Nassif<\/a>, ontem:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O esc\u00e2ndalo, no caso, n\u00e3o \u00e9 o com\u00e9rcio clandestino de jogadores, \u00e9 a n\u00e3o explora\u00e7\u00e3o do potencial brasileiro. Vende-se mat\u00e9ria-prima (jogadores) em vez de desenvolver o valor agregado (a economia interna do futebol).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembro-me de, em 1979 ou 1978, ter escrito um artigo para a Playboy onde j\u00e1 estava claro o papel que as grandes transmiss\u00f5es televisas teriam na cria\u00e7\u00e3o de uma ind\u00fastria de entretenimento riqu\u00edssima. L\u00e1, com meu otimismo injustificado, previa que em pouco tempo o Santos voltaria a ser uma estrela internacional sem sair de casa, apenas com os direitos de transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um bom artigo do Pl\u00ednio Fraga, na Folha, abordando esse desperd\u00edcio brasileiro.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/opiniao\/fz1406200904.htm\"><\/a><\/p>\n<h2>Da Folha<\/h2>\n<h3><strong><span>PL\u00cdNIO FRAGA<\/span><\/strong><\/h3>\n<h3><span><strong>Por entre as pernas<\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RIO DE JANEIRO &#8211;<\/strong> O ministro Guido Mantega vangloriou-se de o Brasil emprestar cerca de R$ 20 bilh\u00f5es para o FMI. Um feito hist\u00f3rico para quem tem antecedentes de bancarrotas. Se Mantega e Lula decidissem montar com esse dinheiro um time de futebol, quantos jogadores conseguiriam comprar e manter por algumas temporadas? Mais ou menos 22 jogadores. Est\u00e1 certo, seria o melhor time do mundo, com Kak\u00e1, Robinho, Cristiano Ronaldo, Figo, Crespo, Shevchenko e Buffon, mas n\u00e3o \u00e9 pouca coisa demais para o esfor\u00e7o de caixa feito por um pa\u00eds como o Brasil? O dinheiro ajudar\u00e1 a socorrer na\u00e7\u00f5es mais pobres que naufragam na crise mundial, mas, quando levado para o neg\u00f3cio do esporte, resume-se a pagar pouco mais de duas dezenas de pessoas.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que fazer um libelo sobre a desigualdade social absurda, vale questionar a incapacidade de uma pol\u00edtica esportiva nacional que permita ao Brasil transformar o futebol, e em consequ\u00eancia o esporte, numa for\u00e7a motriz econ\u00f4mica. \u00c9 tema de relev\u00e2ncia p\u00fablica que n\u00e3o pode ser deixado nas m\u00e3os de espertalh\u00f5es como ocorre hoje. Produtores da maior \u201ccommodity\u201d esportiva do mundo, os craques, os clubes est\u00e3o endividados, e seus dirigentes e atravessadores, ricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sinais claros de malversa\u00e7\u00e3o muito superior ao valor de centenas de Kak\u00e1s e Cristianos Ronaldos e de que o pa\u00eds est\u00e1 tomando um drible por entre as pernas.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>E, enviado por <em>twitter<\/em> pelo <a href=\"http:\/\/twitter.com\/brausen\">ex-Plantitus<\/a>, texto tamb\u00e9m da <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/colunas\/regra10\/ult3255u579997.shtml\" target=\"_blank\">Folha<\/a>:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O time e o estilo de Dunga t\u00eam dado certo, sem d\u00favida. Mas, para mim, falta alguma coisa na sele\u00e7\u00e3o que a fa\u00e7a ter algum atrativo. O futebol de resultados, como o nome diz, busca em primeiro lugar a vit\u00f3ria. Mas alcan\u00e7ar esse objetivo e parar por a\u00ed, quando se trata de sele\u00e7\u00e3o, \u00e9 pouco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma cr\u00f4nica de 2007 chamada &#8220;Sele\u00e7\u00e3o sem povo&#8221;, o escritor Ruy Castro explica os motivos por que acha que &#8220;a sele\u00e7\u00e3o se divorciou do povo&#8221;. Para ele, a sele\u00e7\u00e3o &#8220;reduziu-se a uma legi\u00e3o estrangeira que, mecanicamente, canta o hino antes do jogo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lu\u00eds Fernando Ver\u00edssimo j\u00e1 disse em um artigo que todo time precisa de um dunga &#8211;assim mesmo, com letra min\u00fascula, j\u00e1 que no texto o nome do jogador vira substantivo comum, sin\u00f4nimo de jogador de destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Precisa. Mas basta um. No m\u00e1ximo dois, no caso de no banco j\u00e1 haver outro como t\u00e9cnico.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\">Coment\u00e1rio:<\/span> N\u00e3o \u00e9 demais lembrar que minha aprecia\u00e7\u00e3o pelo futebol, se h\u00e1 (\u00e9 recente, talvez sejam os ares juninos e a vontade agreste de bater coxa, ralar bucho e forrofi\u00e1 no xiado da xinela at\u00e9 a percata rebentar, que me deixam <em>straight<\/em> &#8211; e mais do que <em>straight<\/em>, docemente cafajeste), \u00e9 meramente est\u00e9tica. Aprecio como jogo &#8211; no sentido de que o flerte \u00e9 um jogo (sem vencedores), e que o xadrez \u00e9 um jogo onde a vit\u00f3ria importa menos do que o percurso (ali\u00e1s, os grandes jogos de xadrez no mais das vezes n\u00e3o tem vencedores&#8230;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sendo assim, acrescentaria ao Nassif que a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas fazer do futebol mais economicamente vi\u00e1vel, distributivo; mas, com isso, faz\u00ea-lo voltar a ser arte, e artesanato. Talvez seja preciso n\u00e3o industrializar o esporte, mas fazer um tipo de &#8220;Arranjo Produtivo Local&#8221; e de cooperativismo. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que a po\u00e9tica dos campos de barro de sub\u00farbio n\u00e3o d\u00ea frutos, sen\u00e3o dentro do resultismo europeu &#8211; e a\u00ed criando abismos sociais e de reconhecimento cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 como se todo filme brasileiro pra ser bom tivesse de ser do Fernando Meirelles, <em>h<\/em><em>ollywood-way<\/em>. Ou como se todo escritor tivesse de ser Paulo Coelho &#8211; ruim, sem nenhum v\u00ednculo com nenhuma tradi\u00e7\u00e3o brasileira ou latino-americana, mas multi-traduzido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, claro, o povo sente. Sente que o baba do fim de semana, que praticam com esmero de art\u00edficie, nada tem a ver com o mete-gol que a Globo vende goela abaixo, depois das 10 da noite.<\/p>\n<p>Que a Copa de 2014 sirva tamb\u00e9m para isso: pra ver se o futebol brasileiro escapa desse <em><strong>axezismo<\/strong><\/em> em que se meteu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do blog de Lu\u00eds Nassif, ontem: O esc\u00e2ndalo, no caso, n\u00e3o \u00e9 o com\u00e9rcio clandestino de jogadores, \u00e9 a n\u00e3o explora\u00e7\u00e3o do potencial brasileiro. Vende-se mat\u00e9ria-prima (jogadores) em vez de desenvolver o valor agregado (a economia interna do futebol). 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